"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

domingo, 31 de maio de 2015

A Linguagem Interna

A linguagem interna

O sono sumiu. Lá fora a janela ainda mostrava as luzes das ruas brilhantes, margeadas de pequenas casas apagadas morro acima.
Como iluminar aquilo que eu gostaria que as pessoas compreendessem?
Como me fazer entender?
Como achar a sabedoria? E se pra mim a busca pela sabedoria é tão importante, por que não é também para os que amo? Por que se incomodam com a busca? Por que me ferem?
Sim: é a não comunicação.
E afirmei.
Pontos finais duros e definitivos. E então fez-se as reticências...
O cheiro de pão fresco entrou brandamente pela janela, casando-se com a luz do abajur...
E nesse momento vi o pão fermentando dentro do forno e ouvi os passos ágeis dos elfos de Hogwards trabalhando para sustentar toda uma humanidade que despertaria em breve.
A linguagem estrelar falava dentro de mim, eu me entendia lembrando das confusões feitas por Puck naquela antiga floresta numa noite de verão...
A ceia de Da Vinci multiplicava-se em milhões de bibliotecas humanas fartas e famintas com o cheiro do pão...
Não apenas as sete faces gauches, mas todas as máscaras duras caíam e transformavam-se em borboletas que se colavam por dentro de minha face, de diversos tamanhos, de diversas cores...
E no meio da rua, no meio do redomoinho, não era o tinhoso ou o saci que giravam, mas sim minhas palavras de definição... de comunicação... de explicação...
E então o celular tocou.
E os relógios de Dali se fundiram... Eram as últimas reticências que se iam junto com as últimas horas da madrugada.
É preciso levantar e ir à padaria.

(29/08/2015)

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