"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

terça-feira, 26 de maio de 2015

O monge e o passarinho

E ontem tive a imensa felicidade de discutir literatura em nosso curso de formação, graças ao tema que veio à tona por nossa tutora Judite Junho que teve a extrema sensibilidade de nos trazer o clássico "O monge e o passarinho" de Angela Lago, publicado pela Scipione.
Datado de meados do século XIII, com origem do galaico-português de Alfonso X, reescrito pelo Padre Manoel de Barros, em meio as confusões filosóficas literárias de nosso Barroco brasileiro teve, hoje, a delicada releitura de Ângela Lago. 
Um conto que em primeiro momento parece-nos ingênuo, mas que não sabemos porquê nos toca profundamente; e depois do primeiro impacto nos deparamos com a problemática do tempo interno e do tempo externo de cada um de nós, e principalmente, de como os relacionamentos humanos são atemporais da mesma forma que somos infinitamente insignificantes diante dos séculos.
O próprio texto é atemporal por nos causar tão grandes sentimentos, mesmo após oito séculos de sua criação, sem mencionar a delicada arte pictória de emolduramento sobre emolduramento que a autora faz,  mostrando a sobreposição entre passado e presente, e fazendo com que, através das singelas distorções fotográficas e das cores suaves, o leitor olhe para dentro de si e tente encontrar o seu eixo diante da realidade temporal do Universo.
Impossível não se emocionar!  
Obrigada Judite, por nos trazer precioso tesouro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário