"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

terça-feira, 26 de maio de 2015

Fazendo meu filme 1

"Fazendo meu filme 1"

Como é bom ler por pura higiene mental! Um livro que não precise de grandes filosofias para ser entendido: às vezes isso é necessário!

"Fazendo meu filme" é um típico livro destinado às adolescentes, e as atinge em cheio, não apenas pela identificação do enredo, como também pelo gênero diário teen, que é algo muito vendável, tornando-se uma leitura fácil e rápida, fazendo com que o leitor logo queira comprar o próximo livro da saga.

Algo que me incomodou, assim como em outros livros do gênero, é que o enredo passa-se numa situação onde a protagonista vive um estilo de vida voltado a um público muito limitado, ou seja, a classe média alta (já que Fani, a protagonista, estuda em escola particular, frequenta academia, tem aulas particulares de física e inglês, foi, num único ano, 47 vezes ao cinema...). Tudo bem que essa classe social será a que mais irá comprar livros devido o poder aquisitivo; mas me parece injusto fazer crer às jovens, num geral, que os finais felizes se dão apenas à burguesia, assim como era nos clássicos onde as princesas monárquicas viviam felizes para sempre. Essa literatura capital realmente me incomoda, já que a maioria de minhas alunas leitoras, e talvez a maioria das leitoras adolescentes brasileiras, não estão dentro desta realidade.

Mas algo que une as meninas, num geral, é o enredo do livro que, como diz a própria Fani para classificar seu tipo de filme favorito, tem como tema central uma "história de amorzinho", já que todas as jovens sofrem ou já sofreram por amor.

Outra boa coisa do livro são as muitas citações de filmes e músicas que a autor faz durante todo o romance, e isso com certeza instigará o público a ir atrás de um pouco mais de cultura, mesmo que seja uma cultura popular e hollywoodiana.

Em alguns momentos desse final de semana retornei à minha adolescência.

No final do livro, Fani diz que não sabe como ela ainda não havia sofrido de desidratação por tanto chorar, e realmente, ela chora tanto durante a estória, que até incomoda; mas por muitas vezes me encontrei no quarto cor-de-rosa, abraçada no travesseiro chorando, chorando, chorando, chorando... porque minha amiga tinha passado o recreio com outra amiga e não comigo, porque minha amiga tinha mandando cartinhas pra todas as outras meninas e não para mim, porque não teria dinheiro para comprar a revista Capricho do mês, porque tinha ido mal em matemática, porque tinha ido bem em matemática, porque meu professor lindo de geografia não tinha ido à escola, porque aquele menino tinha me dado um fora, porque aquele outro menino tinha me dado bola, porque ora meus pais não me entendiam, ora eles me amavam, ora eles só enchiam o saco... e pensei que realmente a adolescência é um preparo para a vida adulta, pois hoje tenho tantos motivos para chorar, e pouco choro!

Se Fani irá se transformar também numa mulher durona, não sei; mas já consigo prever que no final da saga ela será uma cineasta ou roteirista e provavelmente ficará com o Leo, mas se isso realmente vai acontecer, só lendo os próximos 3 livros da série para saber. Portanto, boas leituras para nós!

Paula Pimenta
Fazendo meu filme 1: a estreia de Fani
Editora Gutemberg.
333 páginas

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