"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A mariposa (conto da semana)

A MARIPOSA

Mas quem é o sujeito da oração?
Sintaticamente falando é muito fácil de responder, muito fácil de achar, muito fácil de analisar.
Eis que no meio da aula, me apontam, lá, bem acima, na beira do abismo da sala, ela: A Mariposa!
Enorme, escura, em forma de um triangulo desamoroso, com as pontas inferiores partidas em duas enormes fendas, como se asas fossem, antigamente, uma só, e alguém arrancou-lhe o meio, deixando dois pedaços de lâmina, um em cada ponta de asa. E lá em cima, isolada e inalcançável, permanecia.
A pergunta foi feita, mas ninguém sabia o porquê dela estar exposta na sala mais barulhenta da escola, bem no meio de uma manhã ensolarada e fria.
Fui buscar o celular para tirar uma foto, tentar levar um flash de luz para a escuridão.
Como sou prepotente!
Quando retornei, ela já havia se jogado do canyon da vida: estava entre o chão e o rodapé.
As crianças se agitaram com a foto e eu apenas pedi a elas, olhando para o sujeito simples que destinava-se:
- Respeitem a morte!



Boas Leituras!

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