"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Resenha: Guia politicamente incorreto da filosofia: Ensaio de ironia

Arduamente terminei a leitura de Pondé, não por ter uma linguagem de difícil acesso, ao contrário, muitas vezes me deparei com gírias e um linguajar simples, por vezes até mesmo simplório.Não, a questão da dificuldade não foi a linguagem.
Também não foi a dificuldade de raciocínio ou rebuscagem de ideias profundas que muitos livros e autores filosóficos nos levam a ter. Não, o raciocínio filosófico deste livre é de fácil compreensão, não há raciocínio muito profundo ou rebuscado, tudo é muito claro e as vezes superficial, arranhando apenas as ideias mais profundas dos grandes filósofos citados durante a obra.
Bom, mas então o porquê da dificuldade da leitura?
A dificuldade é a revolta,o ódio; é aquilo que a filosofia tenta despertar de mais profundo nos seres pensantes: o abalo da estrutura racional pre-estabelecida dentro do indivíduo. 
O livro é uma crítica ao cinismo e a hipocrisia social. Até aí tudo bem, mas o que mais me incomoda é o tom de desrespeito. Acredito profundamente no questionamento dos padrões, mas não defendo o desrespeito ao pensamento e os ideais do próximo.
Já fui feminista. Hoje, depois de um diploma, uma profissão estável e em acensão, um casamento, 3 filhos, percebo que o feminismo é ingrato, pois apenas sobrecarregou as costas largas da mulher, tirou o papel do homem da sociedade e deixou as crianças crescerem na selva social, sem rumo e sem leis; porem, mesmo assim, a visão machista do autor ao dizer que beleza é fundamental numa mulher, já que o homem, coitadinho, é instintivo mesmo, só irá em busca da beleza feminina e de sua submissão, para, desta forma, gerar filhos bonitos e apenas viver para cuidar dos mesmos, assim como é na natureza (detalhe, nem todas as especies são assim na natureza). Em contrapartida, em outro momento, mais a frente de seu livro, ele diz que o homem não suporta a mulher mais velha que tenta ser bonita e produzida pra surpreender os homens, negando a idade; ou seja, ele defende a valorização das mulheres novas, bonitas e burras, e quem não segue o seu pensamento é hipócrita.
Não acho que eu seja hipócrita, só acho que não preciso de um homem como Pondé em meus relacionamentos assistindo minha vida de luta e me criticando, mas enfim...
Sei que na verdade seu texto é uma fórmula de filosofia popular e vendável, voltada ao capital para uma burguesia burra, a qual ele faz parte, com gráficos bonitos, capítulos curtos, linguagem banal e até mesmo com um cheiro de livro novo inconfundível para os aficionados a compra de livros. 
Portanto, meu caro Pondé, já que você estimula a não hipocrisia social, parabéns por explorar uma fórmula ridiculamente simplória e ganhar dinheiro com isso sobre nós, classe média idiota que tentamos sobreviver socialmente através da compra livre e do pensamento filosófico e desenvolvimento intelectual. São graças a explorações como as suas que a nossa sociedade se mantém linda como ela é!

Guia politicamente incorreto da filosofia: ensaio de ironia 
Luiz Felipe Pondé
Editora Leya
páginas:223


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