"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Milagre de Natal



As vésperas de Natal uma das coelhas da criação está prestes a parir. O ninho já está pronto, como uma manjedoura para acolher a ninhada.
A noite chega. Todos dormem.
Ao amanhecer, não é Natal, mas sim Páscoa! Sofrimento! Amanhecem mortos mãe e um filhote. 
Porém, ao canto da manjedoura, uma bolinha rosa respira ofegante: uma vida restou! 
A comoção domina o sítio e todos se mobilizam para aquecer e tentar alimentar a pequena vida resistente.
Orações são feitas.
Uma seringa é adaptada para a amamentação.
O almoço de Natal foi esquecido entre todos, a única alimentação a que se remetia era láctea.
De meia em meia hora um dos membros da família se responsabilizava em amamentar o pequeno sopro de vida, que, com dificuldade além do que se possa imaginar lutava: molhava-se, leite saia pelo nariz, parecia não conseguir absorver o que provía-se, não conseguiam dar-lhe o suficiente ou o necessário.
As horas se passavam e a vida minguava-se por entre os dedos, cada vez mais rapidamente. Quase não havia esperança.
E foi assim, numa última tentativa, a seringa se fez maior do que o necessário, o leite foi muito e tanto que respirou-se a si próprio. Esvaiu-se. Findou-se. Finou-se.
A notícia foi dada.
Trovejou. A chuva grossa de verão caiu sobre as cabeças. 
Quando foi procurado o pequeno corpinho para que se juntasse ao restante da família, fez-se o milagre!
Alegremente respirava, aquecido e dizendo ao mundo:
Feliz Natal!

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