"Toda memória de um homem é sua literatura particular"

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Charles William Krüger

Olá, povo que lê!!
Hoje venho trazer novidades por aqui: Nosso novo escritor parceiro Charles William Krüger
Charles William Krüger tem 30 anos, reside em Curitiba, e já escreve em blogs há vários anos. Publicou recentemente seu livro "Os Verdadeiros Gigantes" pela editora Catavento, e publicou seu conto "O escudo dos inocentes" na Amazon.
Atualmente, enquanto prepara seu segundo romance de fantasia, Charles posta semanalmente em seu blog http://charleskruger.blogspot.com sagas inéditas divididas em capítulos.
Só para dar vontade, aqui vai o primeiro capítulo das "Crônicas de Karak"

Eu não preciso da luz

Havia um grupo considerável de pessoas se afastando daquele cemitério. A noite caía como um véu parcialmente iluminado pela lua. Bem mais modesto que aquele brilho era o bruxulear de algumas velas deixadas sobre os túmulos, onde também ficaram algumas lágrimas e incontáveis recordações.
Alguns familiares voltavam abraçados, sendo também esta a forma como morreram. O primeiro a perecer não teve tempo sequer para gritar, e os seguintes não tiveram a chance de se lamentar antes de terem o mesmo destino.
Era o terceiro caso de assassinatos em cemitérios nos últimos dois dias. Não foi preciso que os noticiários locais dessem os detalhes – até por não haver muitos. Um pequeno grupo de seres ancestrais entendia o que acontecia e se reunia para decidir o que fazer.

***

- Acordem Karak! – um deles disse, enquanto coçava a barba – Não faz sentido esperar que as coisas ganhem proporções maiores.  
- Eu também acho – outro respondeu, andando de um lado para o outro – Minha preocupação é se ele já está preparado. Se tivéssemos mais tempo...
- Não acho que nossos inimigos já estejam totalmente prontos também. Além disso, que escolha temos? – o indivíduo levantou-se, a túnica branca arrastando-se pelo chão como um fantasma – Não podemos permitir que haja mais mortes de inocentes. Essa é a parte mais importante de nossa missão.
- Já há pelo menos três kowas em nosso mundo. Karak vai conseguir vencer todos ao mesmo tempo?
- Vou acordar logo o Karak antes que você faça mais perguntas. Na condição de Anciões, não podemos nos dar o direito de hesitar. Às vezes, tenho a impressão de que você se esquece disso.
O Ancião ingressou no Mundo Híbrido. Uma espécie de zona mística de difícil acesso que mesclava partes do mundo dos vivos e dos mortos. Era lá que Karak, o jovem que tinha responsabilidade livrar o mundo dos vivos dos kowas, treinava. Ele sequer se lembrava de ter qualquer vestígio de existência antes daquele mundo. Se ele tinha um passado, lhe fora apagado para focar em sua missão. Um preço baixo levando em conta o tamanho de sua responsabilidade.
- Está pronto?
- Sempre estive. Mande-me ao mundo dos vivos.
- Eu vou ficar aqui – Arubald teria que permanecer no Mundo Híbrido como parte do acordo com as entidades que regiam os três mundos – Mas Bald continuará na Terra. E mesmo daqui, eu ainda poderei falar ao seu coração.
- Nada que eu já não saiba. Minha espada...?
Arubald tirou de sua túnica uma lâmina em miniatura, e a um comando a transformou em uma espada respeitável. Havia inscrições de natureza arcana permeando parte do aço da arma, que se intensificaram quando Karak empunhou aquela que seria sua nova aliada.
- Posso ajudar em mais alguma coisa?
- Quando puder, saberá. Obrigado por tudo até agora.
Karak retornou ao mundo dos vivos, deixando Arubald no Mundo Híbrido.

***

- Papai, o que eu faço para a saudade da mamãe passar? – o menino tinha no rosto lágrimas tímidas, como quem lutava contra a tristeza.
O pai apenas abraçou o filho. Visitar o túmulo de sua amada esposa era sempre doloroso, embora ele fizesse questão de sentir aquilo, até como uma forma de valorizar os momentos que passou com ela.
As lágrimas vieram, tanto pela tristeza quanto pela dor de ver a tristeza do filho.
- Chore, meu filho. Chore bastante que a tristeza passa.
O pranto foi interrompido por um susto. Um barulho inesperado em um local até então deserto. Quando se viraram, notaram a presença de um ser horrível. Monstruoso, de aspecto simiesco, membros grossos formado por músculos desproporcionais, cabeçorra com bocarra que gotejava sangue fresco, chifres disformes, pele viscosa e globos de luz maligna fazendo a função de olhos.
A criatura veio de encontro às vítimas quando uma espada se interpôs, para em seguida golpeá-la. Houve um urro infernal, e um novo golpe, dando a pai e filho a chance de fugirem sem grandes perguntas.
Karak posicionou o corpo adequadamente. O kowa urrou outra vez e fitou seu algoz. Houve um momento de tensão, um armistício de segundos no qual um podia estudar o outro. O guerreiro entendeu apenas com um olhar que não venceria em condições normais.
- Luz!
O corpo de Karak foi revestido por uma espécie de armadura prateada, dando-lhe um aspecto levemente animalesco. Sua espada ficou maior, mais larga e mais brilhante. Deu um passo para frente, e o kowa recuou.
Arubald e Bald podiam se comunicar mesmo estando em mundos diferentes. Estavam ambos um tanto apreensivos com o desfecho daquela batalha.
- Ele parece confiante, Arubald. Não há com o que se preocupar.
- Ao menos, ele percebeu rapidamente a força do adversário e se transformou logo. Mas há um problema, Bald. E eu não sei se conseguirei ajudar a resolver estando aqui no Mundo Híbrido.
- Problema? Só vejo o kowa recuando ao ver o poder de Karak. De que problema está se referindo, Arubald?
De fato, aquilo surpreendeu até Karak. Não estava preparado para lidar com tal adversidade.
Depois de transformado, ele não conseguia enxergar.    
                  
Corre lá no blog ler os demais capítulos, pois ele já está no segundo!
Particularmente eu achei as narrativas dele super interessantes, movimentadas e cheias de aventuras. Fica então aí as dicas de leitura do Charles.
E aguardem em breve teremos mais parceiros e novidades por aqui no blog!

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