terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fahrenheit 451 e o fim dos livros


Olá, Leitores.

Imagine viver em um mundo em que os livros não podem existir?

Guy Montag é bombeiro. Mas não um bombeiro comum. Ao contrário dos heróis que salvam vidas, esse tem o intuito de destruir. Livros.
Montag vive em uma sociedade na qual livros são artigos proibidos.
O governo não permite que nenhum cidadão tenha o direito de ter algum exemplar em seu poder, sob o risco de ter sua casa queimada. Esse sistema é quem controla o que pode chegar de informação às pessoas. Nesse mundo, o permitido, o normal, são pessoas interagindo com a tecnologia, vivendo a vida dos outros, como se fossem a sua própria. Ou elas se adequam, ou se usa da violência para banir os “rebeldes”.
Isso não parece familiar?






É esse o enredo de Fahrenheit 451*, de Ray Bradbury.
Uma distopia escrita em 1953 e ambientada no final do séc 20. Apesar de não haver datas no livro, fica implícito que se passa próximo da nossa atualidade pois os costumes e hábitos mostrados no livro são bem próximos aos que vemos nos dias atuais. Fato que choca muito.

E a visão antecipada desse futuro que o autor percebeu há mais de meio século, é aterradora: A ficção está se tornando real.
Pessoas que parecem robôs, aceitando o que é dito como certo, sem contestar. Pessoas que passam suas vidas na frente da TV. Será que estamos longe dessa realidade?

A “profissão” de Montag o deixa inerte, apático, como se essa queima de livros fosse algo sem importância, corriqueiro. Como se livros fossem um “acidente” a ser combatido.

Mas como a vida está em fluxo constante de mudanças, chega o dia em que ele é questionado por uma garota na rua. Ela pergunta se ele já percebeu o colorido das flores, se alguma vez sentiu o cheiro da chuva...no início, Guy acha tudo uma grande bobagem, mas as palavras da adolescente atingem seu íntimo. E ele começa a perceber que anseia por novos encontros e busca a companhia dela e das poucas palavras que trocam. Porque, nesse universo em que vivem, conversas e o olhar para o outro, não fazem mais parte do cotidiano. É aí que ele começa a perceber sua pequenez diante de toda a beleza do mundo. Só quem conheceu o horror da vida pode dar valor ao mais simples e belo.

É a partir daí que Montag acorda do seu ideal de vida e se rebela.


O que Fahrenheit 451 significa para nossa geração?

Atualmente os meios de comunicação já tentam nos dizer o que devemos pensar, o que fazer. As pessoas só precisam concordar. Porém, só somos manipulados, se permitirmos, não é mesmo?

Quantos de nós já ouviu que “os programas de TV estão ruins” ou “A novela está uma droga” ? Mas essas mesmas pessoas gostam e continuam assistindo, pois não é preciso esforço intelectual. E os livros (ainda) estão aí! Existem opções! Mas preferem ser comandados pois é confortável ser manipulado, não é preciso esforço, pensar...
Pensar!
Será que um dia seremos proibidos disso também?

Coincidentemente, um fato triste, e real, ocorreu esse mês: O incêndio no Museu Nacional do RJ.

Fato que comoveu a todos nós, incluindo a imprensa internacional que manifestou seu lamento pela tragédia.
Mas pensemos: o prédio esteve lá por tanto tempo e ninguém deu a importância que ele merecia. Nem governo, nem sociedade.
Há quanto tempo você não entra num prédio histórico? Ou visita uma biblioteca? Um teatro?
Não vamos esperar acontecer outra tragédia para mudar nossas atitudes e pensamentos. A hora de agir chegou e mostra o que acontecerá se o nível de manipulação chegar a extremos.

Confesso que achei que esse livro não ia me conquistar. “Distopia? Não é pra mim”, pensei. Mas foi impossível não me emocionar com essa obra. Após cruzar a barreira da ficção científica (não é um gênero que gosto), me deparei com uma estória linda, de esperança. Vejam a beleza poética deste trecho:

A simplicidade é a maior sofisticação, como diria Leonardo Da Vinci

"Alguns livros possuem poros", como diz um personagem. Fahrenheit é um desses, com muitas reflexões e questionamentos, para qualquer um que esteja disposto a se inflamar, e não deixar seu fogo interno se extinguir.



Ah....o cheiro dos livros


Por fim, uma última frase do personagem Faber: “Os livros existem para nos recordar de como somos tolos”. Para refletir, hein?! 

Obra essencial que deve ser lida por todos, além de ser um clássico dos nossos tempos.

*O numero 451 indica a temperatura na qual o fogo se propaga no papel (232º C) e é também o número do capacete de Guy Montag.

Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Ed. Globo
Páginas: 216

Um beijo e até a próxima,
Lu.

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