terça-feira, 30 de abril de 2019

Escritores brasileiros

Neste mês, o coletivo do Língua e Literatura será sobre alguns dos escritores brasileiros favoritos de nossas colunistas, em homenagem a amanhã, dia da literatura brasileira. Confira!

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Guimarães Rosa - por Fabi Sanchez



É, minha gente... Realmente meu marido é um cara de sorte... Por ter se casado comigo? Talvez, mas principalmente por Guimarães Rosa não estar mais vivo (ele morreu em 1967, eu ainda nem era nascida, buááá), pois se estivesse, ahhhh, se estivesse!!! Sim, sou apaixonada por Guimarães assim, descaradamente. Um homem extremamente inteligente, médico, cônsul de nosso país na Alemanha, falante de 9 línguas e escritor brilhante. Simples em atitudes, andava pelos sertõezões do país, principalmente na região norte de Minas, oeste de Mato Grosso, visitando os rincões junto aos vaqueiros, os quais seu estilo de vida o inspira profundamente na escrita que é um enorme misturar do erudito com o mais simples, uma inversão que, de verdades, mostrando o que é popular, torna-se o mais puro do erudito, e o que é erudito popular; o que é masculino, torna-se feminino, e o que é feminimo, masculino; o que é divino demoníaco, e o que é demoníaco, divino; o que é profano, sagrado, e o que é sagrado profano; o que é fala escrita e o que é escrita é fala... e por aí vai.... Depois que se lê Guimarães, nunca mais consegue-se ler com olhos ingênuos, voltados para uma única visão narrativa simplória e linear. Tudo é profundo e intenso na simplicidade do ato de contar do autor.


Sua grande obra, ao meu ver, é o "Grande Sertão: Veredas". Pra falar muito por cima, é uma epopeia que conta a história do caboclo e jagunço Riobaldo. Querem sinceridade? Nunca li Grande Sertões de cabo a rabo. Tenho medo de lê-lo todo e descobrir todos os segredos. Leio-o por partes, as vezes, como alguém que tem um tesouro muito raro que o aprecia de vez em quando, escondido, pra ninguém descobrir o que é... por aí vocês começam a entender minha loucura por Guimarães. Grande Sertões é um livro que não quero terminar de lê-lo. Ele é praticamente minha bíblia de cabeceira.
A globo fez um filme dele, muito bom, mas óbvio, nem chega aos pés da obra original, porem vale a pena assistí-lo também.


"Sagarana" e "Corpo de Baile" são outras duas grandes obras do autor (tanto em conteúdo quanto em número de páginas) que vale a pena colocar como projeto de vida de leitura.
Vocês podem achar que estou exagerando sobre a genialidade de Guimarães, tudo bem, vou deixar aqui o link do blog Releituras com o conto A Terceira Margem do Rio para que vocês tirem suas próprias conclusões. Estarei por aqui, aguardando seu comentário sobre seus sentimentos sobre meu apaixonante Guimaraes Rosa.



Carolina Maria de Jesus - por Cristiane Oliveira

Carolina Maria de Jesus, nascida em Sacramento, MG e falecida em São Paulo no dia 13 de fevereiro de 1977, foi uma importante escritora brasileira. Poderíamos dizer também que foi uma das primeiras escritoras negras no país.
Em sua vida, foi impelida a buscar sobrevivência fora de sua cidade local após o falecimento de sua mãe. 


Carolina que sempre havia morado, até então, em comunidades rurais, se mudou para São Paulo no final dos anos 30 e teve como ofício inicial a coleta de papel, o que lhe gerava alguma renda para cuidar de sua família.



Em 1947, aos 33 anos, instalou-se na extinta favela do Canindé, na área norte da capital paulista.
Conseguiu emprego na residência do renomado cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini e em seus dias de folga, Carolina de Jesus se dedicava à leitura.
Enquanto trabalhou como catadora, registrou, em cadernos que achava, o cotidiano da comunidade onde morava.


Foi daí que surgiu o seu mais famoso livro, Quarto de despejo: Diário de uma favelada, publicado em 1960.



Desde a sua publicação, a obra já vendeu mais de um milhão de exemplares e foi traduzida para quatorze idiomas. Isso fez da obra uma das mais conhecidas no exterior. 
Após Quarto de despejo, Carolina mudou-se para Santana e, posteriormente, para Parelheiros, região do extremo sul de São Paulo.  Quis ali se instalar porque o local a remetia às lembranças de sua infância, pois era o que mais se aproximava da vida no campo sem ter que deixar São Paulo. 
Quarto de despejo não foi a única obra deixada por Carolina. 
Há também Casa de alvenaria, de 1961; Pedaços de fome, de 1963 e Provérbios, também de 1963.



São leituras profundas e realistas, porém, a mensagem que fica é a de que Carolina de Jesus sempre se voltava à escrita em muitos momentos ásperos de sua existência e buscava deixar mensagens de positividade e persistência.


Mario Quintana - por Lusia



O meu escolhido foi Mario Quintana. Apelidado de O poeta das pequenas grandes coisas. Você já vai entender o porque.

Sabe aquela coisa leve, gostosa, de tirar um sorriso dos lábios? Assim é a escrita dele.

Nascido em 30 de julho de 1906 no Rio Grande do Sul, começou logo cedo a transformar meras palavras em belos poemas. Aos 13 anos seus textos já eram publicados na revista do Colégio Militar. Depois trabalhou em livrarias (que sonho!) e mais tarde traduziu grandes autores como Virginia Woolf e Voltaire.

Não sou grande fã de poesia mas as dele, que misturam prosa, me encantam.



Ademais, ele via poesia em tudo: uma nuvem, estrelas...

Nesse livro, Eu passarinho, ele traz narrativas curtas e poemas, além de Haikais (poemas japoneses em 3 versos) como esse:




Essa apareceu até no Castelo Rá Tim Bum, programa infantil da década de 90, num quadro que mostrava famosos escritores e suas poesias. Prova de que coisa boa é para todas as idades!

E certamente você já ouviu dizer que quem tem um livro nunca está só. Adivinhe de onde veio?




Todos esses textos são do livro, Eu passarinho. Recheado de grande simplicidade. Você também enxerga poesia no seu dia?



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