terça-feira, 2 de julho de 2019

Literatura nordestina

"É noite de São João, o céu fica todo iluminado, fica todo enluarado, pintadinho de balão"
Quem aí já foi a uma festa junina no Nordeste do Brasil, levanta a mão. Em homenagem, hoje falaremos sobre nossa singular e riquíssima Literatura Nordestina

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Rachel De Queiroz

Nascida em Fortaleza, Ceará, no dia 17 de Novembro de 1910, Rachel de Queiroz tem, pelo lado materno, parentesco com outro grande escritor brasileiro: José de Alencar.



Filha de Daniel de Queiroz Lima, à época, promotor, e Clotilde de Franklin de Queiroz, também dedicada às atividades intelectuais (pois esta se mantinha atualizada sobre lançamentos literários nacionais e estrangeiros, em especial os franceses), Rachel recebeu de seus pais boa parte de sua escolarização e, aos 5 anos, leu “Ubirajara”, “sem entender nada”, como gostava de frisar.

Neste ponto há até uma situação bem similar ocorrida em minha pré -adolescência: resolvi ler “O dia do fim do mundo”, de Gordon Thomas e Max Morganwitts.
Até hoje só me lembro daquele povo sendo tragado pelas lavas de um vulcão e mais nada... Traumatizante... 

Bem, mas voltemos à Rachel, não é mesmo? Kkk

Em Julho de 1917, Rachel e sua família se transferem para o Rio de Janeiro, fugindo dos horrores da seca que ficou ainda mais cruel em 1915!
Este fato, mais tarde, serviria de tema para que Rachel desenhasse o seu livro de estreia, “O Quinze”, que, aliás, recebeu prêmio da fundação Graça Aranha. 
Logo mais você saberá o porquê!

Sua estada no RJ durou pouco. Em Novembro, se transfere, com sua familia, para Belém do Pará onde residem também por dois anos.
Retornando ao Ceará, inicialmente para Guaramirangua e depois, Quixadá, Rachel foi para um colégio interno, formando-se professora aos 15 anos, em 1925!

Em 1927, sob o pseudônimo de Rita de Queluz, Rachel escreve uma carta ao jornal "O Ceará" ironizando o concurso de Rainha dos Estudantes. Com o sucesso da carta, foi convidada a colaborar com o jornal, tendo como uma de suas profissões, a de jornalista.

Lembra-se do romance “O Quinze”, já mencionado? 
Pois bem! Ele foi escrito em 1930 quando Rachel tinha apenas 20 anos e fora considerado como uma obra de fundo social, realista e que expunha a luta incansável de um povo contra a seca e a miséria. 
Lançado na segunda fase do Modernismo, “O Quinze” representou um grande salto para o Romance Regionalista da época.



Outra grandiosa obra foi “Memorial de Maria Moura”, publicado em 1992 quando a escritora estava com 82 anos!
A obra recebeu versão televisionada se tornando mais difundida e conhecida do grande público. 
Neste livro, Rachel adota um estilo narrativo dando à estória uma sequência de telenovela.
Talvez por isso, a transposição da obra para as telas tenha sido tão bem sucedida.
A trama ocorre no sertão. 


Força e fraqueza, virtudes e defeitos, amor e ódio, crime e remorso sempre andaram de mãos dadas nesse romance.
Porém, tais adereços eram pano de fundo para que Rachel tocasse em um tema básico e intrigante até os dias atuais: um Nordeste problemático. 
Aquele que todos veem, muitos vivenciam, mas poucos ajudam a mudar.

Seus personagens centrais são Maria Moura, Beato Romão, Marialva e Valentim.
Você já ouviu falar do discurso polifônico (várias vozes)? Pois bem! 
Rachel fez uso deste dinamismo para dar à obra toda a realidade e importância que ela merecia.

Obviamente não estou aqui par dar spoiler, mas há muita trama, suor, lágrimas e garra da chamada, pela cultura nordestina, mulher macho.
Maria Moura é a personificação da mulher que mata a cobra e mostra o pau! É arretada mesmo! Tão cativante quanto Rachel.


E assim, como sua personagem, valente, cheia de garra e mostrando a que veio, Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de letras, ocupando a cadeira de número 5.

À Rachel, toda nossa gratidão pelas grandiosas obras deixadas e por retratar o nordeste com tamanha maestria. 

Quer entender mais da história do Nordeste? Dedique-se à Rachel. A cada leitura a satisfação e a educação sobre o tema serão garantidos.

Viva Rachel de Queiroz!
Viva a mulher nordestina!

E falando em mulher, deixo aqui umas das frases de Rachel com a qual mais me identifico: 
“Não sou feminista. Acho que a sociedade tem que crescer em conjunto. A associação mulher e homem é muito boa e acho um grande erro combater o homem.”

Nos falamos em breve, 
Cris
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José de Alencar

Um nordestino que me pegou foi José de Alencar. E foi a maior coincidência a Cris comentar sobre a Rachel de Queiroz ser prima dele. Essa eu não sabia e vocês?



Meu primeiro contato com o autor foi com a obra Iracema. Já comentei em algum post antigo sobre minha implicância com esse livro. A virgem dos lábios de mel, atormentou minha vida de estudante. Foi dificílimo para mim (e minhas colegas) entendermos uma estória de amor indígena, com várias palavras em tupi e escrito de forma rebuscada. Até que uma das mães da nossa turma encontrou o filme em VHS em uma locadora (os jovens de hoje nem sabem o que é isso. Dá um google que vocês vão entender). Aí sim entendemos o livro e pudemos fazer a prova. Ufa!
José de Alencar gostava tanto da temática indígena que publicou mais dois livros chamados O Guarani e Ubirajara.

Lembro de uma professora também ter pedido a leitura do livro “O Tronco do Ipê”. Desse nem me recordo do que se trata. O fato é que José de Alencar, até hoje é um autor que sempre é bastante lembrado nas aulas de literatura.
E porque será que isso acontece?
José Martiniano de Alencar, ou somente, José de Alencar, nasceu no Ceará em 1 de maio de 1829, na cidade de Mecejana.

Seu pai era padre e deputado no Ceará. Espera. Padre? E padre casa? O pai de José de Alencar, sim. Ele próprio considerava sua união com uma prima, ilícita. Mas...foi desse fruto que nasceu nosso escritor.

Foi na São Paulo da garoa que esse rapaz sério, entrou na Faculdade de Direito. Já dizia ele que “não consta que alguém já vivesse, nesta abençoada terra, do produto de obras literárias”... Ele precisava garantir seu sustento de outra forma. As coisas não mudaram muito...
Além de escritor, foi político em cargos como Deputado Federal e Ministro da Justiça.
Começou escrevendo crônicas para diversos jornais. Até que em 1856, seu primeiro romance Cinco Minutos, foi publicado em folhetins com grande sucesso.

Com esse livro, me curei da ressaca de Iracema. Uma temática oposta se encontra nessa obra: a burguesia, os costumes da época, os amores e casamento.Outro livro apaixonante dele foi Senhora que segue essa mesma característica. 



José de Alencar foi um autor que explorou as características do povo brasileiro em suas obras. Além da trilogia indianista, se dedicou a retratar o homem do campo com seus livros Til, O gaúcho e O sertanejo. Os críticos enfatizam que a trajetória de Alencar em trazer o homem brasileiro em sua essência foi extremamente marcante em nossa literatura.Ele também escreveu peças para o teatro e fundou seu próprio jornal O Diário do Rio de Janeiro.

Disse Machado de Assis: “...José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana”. Realmente, ele não se enganou

Esse Brasil tem autores arretados pra mais de metro. Que tal ler mais literatura nacional a partir de hoje?

Lusia


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Gilberto Freyre

Gente, adoro a literatura brasileira, e mais especificamente, a Nordestina. Adoro o lirismo  apimentado e inteligente nordestino, que retrata toda uma cultura da região de forma única. Não consigo comparar a literatura nordestina com nada que já tenho lido em minha vida! Portanto, pra mim, tanto é fácil quanto difícil falar sobre este tema. Fácil porque gosto de muitos autores e difícil porque tenho que falar de apenas um autor. Entre todos, escolhi Gilberto Freyre. 


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Escolhi Freyre pois o tenho estudado. Ando um tanto quanto debruçada sobre sua obra "Açúcar", mas deixem-me eu explicar o porquê.



Gilberto Freyre é um ícone dos estudos sociais, antropológicos, históricos, culturais, regionais, econômicos, gastronômicos, ecológicos da região dos grandes engenhos nordestinos, principalmente os de Pernambuco.
Certo dia, recebi a postagem de um concurso literário que saudava Freyre e estimulava os escritores a elaborarem um ensaio sobre sua obra, daí voltei a retomar Freyre em minha vida. 
Li um pouco sobre ele na faculdade, me aprofundei em alguns textos quando dei aula no ensino médio, mas fui começar a estudá-lo realmente quando tive meu primeiro filho: levei "Casa Grande e Senzala" pro hospital comigo, pois teria looongos dias pela frente e resolvi pegar um calhamaço pra me acompanhar. Conforme eu o lia, me afundava mais e mais na estrutura do estudo que ele fez nessa obra e, a partir daí, me apaixonei pelo autor.


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Apesar de ter um cunho científico muito grande, o teor poético, lírico e musical de sua obra é sem igual. Não tem como não se imaginar no meio das descrições de seus cenários e contextos, mesmo sem nunca ter ido ao Nordeste, é impossível não se sentir parte dele ao ler Freyre, e digo mais, não tem como não sentir o Brasil pulsar dentro das veias ao ler uma obra sua.
Não falarei aqui de sua biografia ou bibliografia, pois é algo muito fácil de se achar na internet ou em qualquer biblioteca do Brasil, o que queria deixar mesmo aqui neste post, é a emoção que tenho em ler e escrever sobre Gilberto Freyre e fico aqui, esperando ter contagiado ao menos alguns de nossos leitores a querer saber mais sobre nós mesmos com a leitura deste gênio pernambucano.



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