segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Desafio de escrita criativa "Leila Jacob" - por Fabi Sanchez

Olá, povo que lê!

Esta semana é a semana do desafio biográfico e por esta razão decidimos escrever uma sobre a outra para que vocês possam nos conhecer um pouquinho mais de perto.

Estão prontos para saber um pouco mais sobre essa minha querida amiga, a escritora Leila Jacob? Então vamos lá!





domingo, 11 de outubro de 2020

Desafio de escrita criativa: A Operária -por Leila Jacob

Caro leitor,

Confesso que fiquei bem balançada com o desafio da semana, tive bons professores de arte na minha vida escolar. Lembro da querida professora Adriana que era fã incondicional de Romero Britto e Tarsila do Amaral. Ela sempre pedia para os alunos copiar os desenhos de ambos artistas e falava sem para da semana de arte moderna. Espero que a senhora esteja bem onde estiver professora Adriana, você provavelmente não iria lembrar dessa humilde aluna, mas marcou minha vida.

O tema da semana é: Baseie-se em uma obra de arte. Use a historia que ela apresenta como referencia.

Escolhi Operários da Tarsila Do Amaral, que foi pintando em 1933 depois da sua vinda da antiga União Soviética e perda de bens depois da crise de 1929. Inspirou-se na chegada das industrias no estado de São Paulo, o país estava trazendo com força o capitalismo e sem leis trabalhistas como as de hoje.

Operários, Tarsila do Amaral.



Os dias não eram mais meus e sim da rotina que me consumia, uma grande crise havia acontecido não só no mundo mas dentro de minha alma. Ela consumia com todo amargor a alma que antes mal sabia que habitava nessa casa, eu.

Antigamente achava que a dor era quando se cortava o dedo descascando um legume ou até mesmo quando alguém lhe batia, dor é física e ponto.
Eu tinha casa, marido, empregados e dinheiro.
O que mais me doeu perder?
Bem é difícil dar uma resposta quando se perde tudo repentinamente, mas posso afirmar que o marido não me faz falta, ter ele em minha vida era para suprir as fraquezas da carne.
Mas sinto falta do dinheiro, ele era um bom companheiro.
Agora devo trabalhar.

Levanto com pesar da cama, sei que preciso levantar, trabalhar dessa forma é algo que nunca na vida imaginei mas tinha coisas que valiam a pena, coisas que me faziam sorrir com os lábios, os dentes guardo para tempos mais fáceis.
A grande fabrica de tecido onde eu comparecia somente para viver dignamente, se é que eu poderia dizer assim, tinha diversas pessoas vindas de todos os cantos do pais.
A querida São Paulo recebia todos de braços abertos, mas logo largava na primeira viela escura e úmida mostrando que para brilhar deveria mostrar força e coragem.
Trabalhar e trabalhar sem parar.

Saio de casa com o uniforme, um vestido cor de cinza de mangas compridas.
A única coisa que me sobrou de antes da depressão foi uma bolsa de couro preta que havia comprado em Paris, usava com diversos Tailleur.
Se hoje tenho 5 vestidos é muito para a condições que sobrevivo.
Trabalhando sem parar.

Apesar de muito reclamar tento achar graça na vida, vejam bem, adoro ver as mulheres da ala de tintura indo flertar com os rapazes da ala do recorte. No momento que vou comer aproveito para observar essas historias cotidianas e fumo como se nunca tivesse colocado um cigarro da boca.
O cigarro é dado como uma cortesia diária de um amigo, funcionário de um restaurante, um italiano que sempre sorri quando me vê sentada na calçada da fabrica.

Eu poderia casar com ele, poderia se tudo fosse diferente.
Ele era jovem e bonito e eu velha mas tinha classe, com certeza ele iria me trair.
Mas se ele tivesse dinheiro não seria mau negocio.
Cigarros não compram Tailleur.
 
Todos os dias ele vinha todo sorridente com uma bituca de cigarro na mão e gritando "Primadonna!". Era o momento doce do dia um belo moreno gritando no meio da rua.
E eu sendo uma primadonna.
Depois indo trabalhar sem parar.

Eram tempos difíceis, mas não iria abandonar minha bolsa de couro e muito menos o cigarro diário que o italiano me compra, nem mesmo sua companhia.
De tarde volto para a casa somente com a bolsa, o amargor volta com força.
Era sempre assim, todos os dias.
Trabalhando.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Desafio de Escrita Criativa "A ponte" - pr Fabi Sanchez

 Olá, pessoal!


O tema desta semana é: inspire-se em uma obra de arte.

Bom, fui beber da fonte do impressionismo Francês, do meu queridíssimo Monet e sua ponte japonesa, pintada em diversos momentos de sua vida, com varias visões e diferentes épocas. Tentei fazer um texto impressionista também, inspirada no simbolismo, mas acho que passei bastante longe da intenção inicial pelo fato de que não consegui poetizar, fiz algo em forma de diário, bastante fragmentado, enfim, ficou uma misturada danada, parece mesmo um monte de pincelada sem sentido. Espero que você, leitor, aí de longe, consiga compreender algo!

Boa leitura!


domingo, 4 de outubro de 2020

A grande ressaca de Setembro de 2020 - Lu Rabello

 

Sobre leituras e ressaca


A postagem desse mês será um pouco diferente das demais em que comento minhas leituras do mês.

Porque, como já leram no título, esse mês foi de ressaca literária.

Quem nunca sofreu disso, não está lendo direito...




Mas falando sério, o leitor que ainda não passou por isso, certamente passará um dia.

Tem épocas em que lemos mais, outras menos e ainda tem outras que não queremos ler nada.

Para o leitor assíduo é um tanto angustiante ficar dias sem vontade de pegar num livro.

Porém “forçar a barra” e querer enfiar páginas e mais páginas goela abaixo, só vai fazer a situação já ruim, piorar.

O melhor é se permitir essa pausa. Para não tornar um hábito tão gostoso que é o da leitura em sessão de tortura.

O que fazer então?

Eu procuro aproveitar essa pausa para assistir filmes e séries, jogar videogame com a filhota, fazer palavras cruzadas, ouvir música...ocupar o tempo destinado a leitura com outros hobbies prazerosos.

E quando sentir a vontade de livros voltar, me dedicar com mais carinho a esses amigos tão queridos.

Já pensando no breve retorno e aproveitando que mês de outubro é o mês do horror, já tenho algumas coisas separadas pra voltar com pique total.


Versão física rara e a atual leitura no Kindle. A rinite agradece


Um deles é “A janela secreta” de Stephen King. Esse livro faz parte de uma coletânea de 4 novelas intulada “Depois da Meia Noite”.

A janela secreta já virou filme com Johnny Depp no papel principal. Já assisti ao filme e gostei bastante. Agora vou ler a estória original.

Essa edição é a única disponível no Brasil. Nenhuma editora o relançou, por isso quem o tem, tem ouro nas mãos. Chegando a custar mais de R$200,00, esse ainda é um livro “barato” perto de outro livro do King que também não tem reedição chamado “Os livros de Bachmann” que não sai por menos de R$1.000, se, eu disse SE, você der a sorte de o encontrar. Raríssimo mesmo.

Voltando ao livro, King conta a estória de um escritor (King tem muuuuitos personagens escritores. Uma imitação de sua própria vida?) recém-divorciado, que está sendo acusado de plágio.

Nesse livro os fantasmas dão lugar a um suspense psicológico.

Um verdadeiro mestre que possui diversas facetas, indo do sobrenatural ao romance policial sempre com genialidade.



Outro livro que sempre pego nesse mês é o Contos Fantásticos do Século XIX que tem uma seleção de contos de horror, suspense e fantasia recheado de bons autores como Edgar A. Poe, Robert Louis Stevenson entre muitos outros.

Falando em contos, aí está uma boa forma de sair de uma ressaca. Contos são rápidos e não vão cansar o leitor que já está meio desanimado.

Já comprei assim, com adesivo da Monster High. Será que foi proposital?

Acredito que uma das causas do meu desânimo foi um livro grandão que peguei mês passado chamado “Setembro”.

Acho que a ideia da autora era fazer o leitor percorrer setembro de cabo a rabo com esse livro…

E olha que é uma autora que adoro e que já mencionei por aqui chamada “Rosamunde Pilcher”.

Gosto muito de suas estórias, da ambientação - sempre pelos lados da Escócia e suas paisagens idílicas - mas esse livro me consumiu o mês inteiro. Veja, um livro de 461 páginas. Não é tão grande assim, ne?! Mas levei o mês inteiro lendo ele. Na verdade, acabei agora dia 01/10 (meu aniversário, por sinal!!!) 


A estória não tem um personagem principal. Rosamunde nos leva a uma aldeia escocesa em que todos se conhecem e a referência ao mês é por causa de uma festa que reunirá os personagens. A estória tem intrigas familiares, segredos do passado e a autora conhecida por sua veia romântica, insere um suspense bem construido na trama. Um bom livro mas não sei porque levei tantos dias para finalizar.

Contem se já passaram por isso e o que fizeram para sair de um marasmo literário.

Nos vemos em breve com a esperança da cura da ressaca

Lu




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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Desafio de escrita criativa: Suando frio - por Leila Jacob

Caro leitor,

Todos já vivemos momentos engraçados na nossa vida. Em meus poucos anos de vida houve acontecimentos dignos de filmes de comédia.

Peço perdão aos envolvidos mas a história que irei contar hoje é verídica e como diz o meme “Só quem viveu sabe”.


Suando frio

As aulas patrocinadas eram as mais divertidas no curso técnico em gastronomia. As empresas mandavam seus ingredientes, receitas e um chef de cozinha especializado em seus produtos.

Não poderia ser um dia melhor para os amantes de açúcar pois era dia de doce, doces destinados ao público diabético. O chef fez questão de mostrar as receitas e como se preparava cada uma, ele só esqueceu de avisar algumas informações que no futuro desses jovens cozinheiros seriam importantes, continue lendo e verá.

Fizemos bolos, pudins e manjares entre outras receitas que essa autora aqui já não lembra mais. Foi muito doce. Tanto doce que outras turmas vieram provar conosco. E a regra era clara, o que sobrava em aula era consumido por alguns funcionários da escola e o resto que ficasse era lixo, e a gente comia o máximo para não se tornar lixo.

Comemos felizes e, por fim, todos ficaram satisfeitos com os doces e com a aula. Era perfeito, não podia ser ruim, até terminamos de lavar as louças cedo e o professor logo liberou a turma.

Eu, toda feliz, fui com alguns colegas para a estação de metrô. Até que minha colega sugeriu que fizéssemos transferência para o trem. Achando uma boa ideia, fui com ela para tentar chegar mais cedo em casa.

Chegando na plataforma da estação Tatuapé, sinto uma pontada na barriga. Não me liguei naquilo pois estava mais empolgada para ir para casa do que com minha barriga. De repente minha colega faz uma cara estranha e diz:

- Nossa menina, eu tô com uma dor de barriga.

- Sério? Por que eu também!

- Comemos muito, mas deve ser dor de estômago. Que dor estranha...

Eu me calei e continuei com aquelas dores estranhas na barriga. Passava estação e não chegava a que eu queria descer, e cada parada que o trem dava minha barriga doía mais ainda. Quando cheguei na estação do meu bairro, despedi da minha colega às pressas e corri. Naquele momento constatei que aquela dor estranha era vontade de ir ao banheiro. Chegando na porta do banheiro vi um aviso que os sanitários estavam em reforma. Gelei na hora e a barriga dando várias pontadas. Corri para o ponto de ônibus e depois de 15 minutos estava em casa.

Enfim o alívio. 

Fiquei pasma com meu descontrole, pedi a Deus perdão pelo meu pecado de gula e jurei nunca mais comer tanto doce na vida.

No outro dia fui para aula envergonhada com a situação do dia anterior, naquele dia era aula de pão, pelo menos não veria doces.

Todos entramos na cozinha e naquele dia a turma que era barulhenta estava estranhamente quieta. O professor de panificação (que era a ovelha negra da grade), chegou todo animado e começou a escrever as produções do dia.

- Então turma, vamos trabalhar? Ah ontem vi que vocês estavam numa aula de doces diets, foi legal?

E o silêncio reinou. Até que um aluno que era bem cara de pau (Até hoje ele é) se manifestou.

- Foi sim, mas não sei se foi só comigo, mas senti uma dor de barriga estranha, e na primeira oportunidade que tive fui ao banheiro, não foi fácil: suei frio, acho que comi muito doce.

Todos se entreolharam e deram risadas, até que aos poucos todos se manifestaram dizendo que havia acontecido o mesmo, ou seja, todos suaram frio no dia anterior.

O professor, que não era fácil, logo foi tirar vantagem do conhecimento.

- Claro, erro de principiantes. Os doces diets tem menos açúcar, porém o valor de gordura é elevado, quando um não diabético come muito, passa mal. Ai, que tolos!

Todos caíram na risada. Naquele dia em diante não chego perto de nada diet, vai saber o que pode acontecer, aliás eu já sei.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Desafio de escrita criativa "Visita ao pediatra" - por Fabi Sanchez

 Olá, povo que lê!

Vamos ao tema do nosso Desafio de Escrita Criativa?

"Escrava algo engraçado"

Sim, meus caros, esta semana tentaremos fazê-los rir. Dizem que a comédia é uma das artes mais difíceis, portanto tenho que assumir que estou um tanto quanto ansiosa para saber se terei êxito na empreitada. Pensando nisso, busquei na memória algo que, particularmente, me faz rir bastante e imediatamente me veio a mente: meus filhos. Mas Fabi, de novo você vai escrever sobre os meninos? Vou, gente, desculpa, podem me julgar, mas este exercício de desafio de escrita semanal só tem vindo pra me provar que, por mais que inventemos mil mundos e personagens, nós só conseguimos escrever sobre aquilo que somos e temos de conhecimento, e meus filhos, como vocês devem imaginar, são uma das minhas maiores fontes inspiradoras, portanto espero que deem tanta risada com eles quanto eu rio diariamente.





domingo, 27 de setembro de 2020

Desafio de escrita criativa: Um ano difícil - por Leila Jacob

Caro leitor, 
Tenho diversas lembranças da minha infância, algumas boas, outras ruins e algumas que aparecem involuntariamente para se incluir na minha biografia mental.
O desafio da semana é escrever algo infantil com base na experiência dessa época, vamos lá então. 
Um ano difícil
Deito devagarinho no travesseiro e fecho os meus olhos lentamente, sono profundo.
Acordo com as mãos de mamãe batendo em meus braços e vejo a luz do abajur iluminado seu rosto.

- Acorda menina, já é hora de ir pra escola.

Levanto com sono e sem vontade de fazer nada a não ser dormir. Mas não falo nada, nunca falo só deixo que ela conduza a minha rotina. Ela me veste, me coloca pra escovar os dentes enquanto faz o café. Meu pai já preparado para o trabalho, espreme a laranja para fazer o delicioso suco de laranja, beterraba e cenoura que tanto amo.
Depois do café fico mais animada e já começo a tagarelar sobre ficar em casa e não querer ir pra escola, sobre ser mais útil em casa, sobre o cheiro do incenso da professora me deixar tonta e sobre todas as dificuldades.
Meu pai fingindo que não escutava as reclamações preenchia a lancheira de biscoito água e sal e suco de laranja.
Rapidamente em sua bicicleta me deixava na escola e ia trabalhar.
Entrando no pátio as professoras já iam organizando as filas de cada turma para entoarmos juntos o hino da independência e o hino nacional.
Depois em fileira seguimos para sala e a professora sem mais demora acende o incenso fedido que doía a cabeça.

Abrindo a embalagem de um chiclete que iria durar até o fim do dia ela começa a aula:

-Como o dia está lindo hoje, já deixei um cheirinho bom aqui pra gente ficar mais feliz.

Sorri e enche a lousa de lição.

Em minha mente as letras se embaralham e as linhas do cadernos se contorcem.
O cheiro do incenso fica mais forte e eu fico repetindo em mente para que o incenso queime rápido.

Letras, números, linhas pautadas, giz, incenso, recreio e o chiclete sendo mascado incansavelmente.
E eu só queria poder ler, se eu soubesse.

Quando o sino da igreja badala doze vezes meu coração acelera e fico feliz em arrumar meus matéria na bolsa.
O sinal soa e corro até o portão para ver minha mãe acenando e me chamando para o conforto do lar.

Acabei escrevendo algo que acontecia diariamente no ano de 2004 quando eu estava na primeira série em uma escola considerada uma das piores em ensino fundamental, poderia escrever algo mais leve com o humor de criança, mas sempre lembro dessa época e vejo que a vida de uma criança pode ser bem cruel em alguns aspectos. Foi um desperdício de ano pois não aprendi nada e ainda morria de dor de cabeça por conta de incensos com as portas fechadas.(Ainda me aprovaram para a segunda série).
Pais prestem atenção no que os professores fazem na sala de aula com seus filhos, sejam os melhores professores para seus filhos!
Ainda bem que no ano seguinte eu mudei de escola e conheci uma professora maravilhosa que me ensinou a ler, somar e diminuir (Espero que esteja bem professora Claudete ❣️).

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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Desafio de escrita criativa: "Gato mia" - por Fabi Sanchez

Olá, povo que lê!

Esta semana do nosso "Desafio de escrita" tem o tema: Escreva algo infantil, baseado em experiências de sua infância.

O tema na verdade, para mim, não é um desafio, pois já escrevi outras coisas para o público infantil e tenho muitos momentos bons para recordar da infância. O desafio, na verdade, foi escrever no dia de hoje, um dia em que estou me sentindo extremamente ansiosa, mais do que o normal. Então resolvi falar de algum momento da minha infância em que a ansiedade esteve presente e percebi que a ansiedade é algo nato em mim. Hoje em dia consideram a ansiedade algo a ser tratado, uma doença. Não sou médica para dar nenhum veredito, só posso falar como escritora e como eu, reles vivente do mundo: a ansiedade é uma característica minha, assim como são meus longos cabelos castanhos avermelhados, se eu os cortar ou pintar, se tornam falsos e não combinam comigo, eu assumo minha ansiedade como adjetivo, controlando-a para que não se substantive, então dona ansiedade, o desafio hoje foi para você: segue o texto escrito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Desafio de escrita: Hotel Lua - por Leila Jacob

Caro leitor,
Estava com saudades de postar aqui no L&L, como a Fabi disse no post anterior o mês de agosto foi bem atarefado, mas estava o tempo todo lembrando da escrita e anotando ideias que me vinham dentro do ônibus, lavando a louça, assistindo e até mesmo no banho.

O desafio da semana é algo que achei até mesmo bobo quando li, vejam bem, pegue o livro mais próximo e abra na pagina 27, leia o primeiro parágrafo e escreva algo baseado nisso.  
O livro que peguei é um xodó da minha vida literária "A carne dos anjos" de Siobhan Dowd, comprei esse livro em um extinto sebo aqui do bairro.

O primeiro paragrafo é:

"O modo como ele disse seu nome foi como uma benção"

Então vamos voltar com tudo, começando o desafio da semana.


A multidão de pessoas saindo do metrô com casacos e botas era uma visão que Léa gostava, o clima de outono era o seu preferido. As pessoas passavam com pressa e esbarrando nela, mas Léa não se importava de ser lentidão no caos da cidade, há um ano e pouco era ela quem corria para chegar no trabalho mesmo com o horário adiantado, hoje em dia não valia mais a pena.

Depois da morte do marido a moça tinha saído do trabalho para ir ao interior passar um tempo curando as feridas com o ar das montanhas, isso tinha ajudado muito, mas a sede por trabalho tinha voltado há algumas semanas. Sem nem mesmo pensar, ligou para o antigo trabalho pedindo um emprego e ali estava ela, iria como temporária, por alguns dias.

O hotel Lua era o lugar onde Léa queria estar sempre, antes de conhecer o falecido marido. Trabalhava sem querer parar por dias e dormia entre um lençol e outro da lavanderia.
Amava o seu emprego e queria sempre estar à disposição das pessoas, mesmo havendo umas maçãs podres como cliente. Ela os servia com toda hospitalidade do mundo.

Chegando na porta do Hotel, ela sentiu um friozinho na barriga como se nunca tivesse entrado naquele lugar. Com toda a coragem do mundo empurrou a porta giratória e foi direto à recepção. Pessoas novas estavam no atendimento, o que era esperado, já que o grupo M havia comprado o hotel naquele ano. Com certeza muita coisa havia mudado.

-Bom dia, senhora, como posso ajudá-la?

-Bom dia, o gerente está à minha espera, sou a subgerente nova.

A recepcionista mediu a mulher dos pés à cabeça, achando-a bem estranha para o cargo, mas ela sabia que não iria durar muito, achou que seria o desespero do chefe por não achar alguém à altura, qualquer um ficaria por uns dias.

- Ah, acho que ele te espera na entrada de funcionários que é pelos fundos.- apontou com desdém para um corredor lateral que Léa desconhecia até então.

Percebendo a falta de empatia da moça, Léa agradeceu e seguiu pelo corredor, entrou na sala onde os funcionários entravam e percebeu que a equipe estava toda reunida. Na mesma hora viu as colegas de trabalho de sua época, Bianca e Luzia, que lhe ofereceram olhares e sorrisos reluzentes.

Bianca correu ao seu encontro e deu um grande abraço, ela era amável e muito engraçada. Mesmo não sendo amigas Léa se sentiu feliz por ter alguns rostos conhecidos por ali.

- Léa, o que está fazendo aqui? Que saudade de você mandando em mim. Sinto muito pelo o que aconteceu com seu marido, espero que esteja bem. Ah, espera, você é a nova...

Antes da moça terminar a frase um homem alto entrou no recinto e todos que estavam ali se calaram. Ele usava um terno com uma medalhinha pequena presa do lado esquerdo do peito.
Léa olhou ao redor e percebeu que os funcionários estavam receosos com a chegada do homem. O grande homem olhou para todos os funcionários uniformizados exceto uma mulher que usava um enorme sobretudo caramelo com grandes botões que roubava toda a atenção daquela sala.

Ele estranhamente chegou perto de Léa devagar e perguntou num tom baixinho que só ela conseguiu ouvir.

- A senhora é quem eu estou esperando às 9H00?

Ela olhou para medalha com o nome e cargo do homem, Jean Lima, gerente. Ela o encarou e balançou a cabeça afirmando. Ele, elegantemente, voltou ao seu lugar e respirou fundo se preparando para as novidades que iria contar.

- Bom dia, espero que todos estejam bem. Convoquei todos aqui para uma breve reunião pois quero deixar algumas informações importantes com todos. Alguns de vocês são funcionários novos, alguns já estavam aqui e outros vieram de outras localidades, esses últimos já me conhecem. Sou o novo gerente do Hotel Lua, Jean Lima.
Creio que o treinamento dado no ultimo mês já deixou todos aqui capacitados, acreditem, se não fossem não estariam aqui hoje.
Então, quero que deem o melhor para que nosso hotel seja um dos melhores como sempre tem sido. E na falta de um subgerente, estamos com uma temporária que irá comandar vocês e me auxiliar nessa nova jornada, que é a senhora Léa Maia. Venha até a frente para todos verem a senhora melhor.

Léa sentiu uma pontada no peito, já não usava o sobrenome do marido alguns meses e ninguém a chamava pelo nome e sobrenome onde estava e muito menos a chamavam de senhora. Os olhos queimaram querendo soltar lagrimas, mas ali não era lugar e nem hora de chorar. Indo em direção ao gerente viu que era seu dever corrigir.

-Bom dia a todos, espero que sejam dias produtivos para todos nós, e senhor Jean, uma correção, meu nome é Almeida, Léa Almeida.

Ele a encarou com uma expressão estranha mas logo suavizou o semblante. Nesse momento ela percebeu que ele era peculiarmente bonito, logo a moça olhou para outro canto da sala com o rosto corado. O homem engoliu a saliva observando a atitude da mulher ao seu lado, não era algo que ele esperava.

- Desculpe-me pelo erro então, corrigindo, a subgerente chama-se Léa Almeida. Todos estão dispensados para continuar o trabalho.

A sala foi se esvaziando e os gerentes do hotel Lua ficaram a sós, ele a encarava sem piscar nem mesmo por um segundo. Léa estava sem saber como agir, os anos de experiência na hotelaria pareciam ter sumido em poucos meses, como agir com um superior? Tomando coragem quebrou o gelo.

- O senhor tem alguma recomendação? Onde eu devo começar?

- Hoje você vai passar o dia comigo, e Léa Almeida é um bonito nome.

E saiu da sala sem nem mesmo orientá-la. Bianca que estava na porta da sala entrou com um grande sorriso no rosto.

- Nossa, mas que tipo, hein? Você viu como ele falou com você, o modo como ele disse seu nome foi como uma benção. Serão dias cheios de novidades.- disse a moça dando alguns tapinhas nas costas de Léa.

Pela primeira vez naquele dia Léa sentiu medo de verdade, mas já estava na chuva então iria se encharcar. 






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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A Lua e o Licor (trecho de "Lucy") Desafio de escrita - por Fabi Sanchez

Olá, povo que lê!

Vamos nós de novo começando com aquele pedido de desculpas por estarmos sumidas? Gente, eu e a Leila, neste agosto, estivemos com compromissos pelas tampas, por mim, digo que o lançamento de "Causos de açúcar" me consumiu bastante energia, mas o feedback do meus leitores tem sido algo extremamente prazeroso, mais do que o próprio açúcar inclusive, pausa aqui para agradecer a cada um dos meus leitores queridos... mas chega de desculpinhas, né? Vamos voltar ao foco de escrita de nossos desafios semanais?

Pois bem! Eu e a Leila muito conversamos sobre o desafio dessa semana e achamos que seria uma chatice sem fim, mas minha gente, quando peguei o mote inspirador para escrever, já meio que a cena veio em minha mente: vou adorar escrever isso. O famigerado desafio então, é o seguinte:  Pegue o livro mais próximo de você, abra na página 27, leia o primeiro parágrafo e escreva algo baseado nisso.

Peguei "Um cavalheiro a bordo", que é o terceiro livro da melhor trilogia, no meu ponto de vista, da Julia Quinn, e vejam só o parágrafo com o qual me deparei:

"Ele se sentou na beirada da cama, sua proximidade a deixando desconcertada"

Já pensou malícia, né? Então vamos ver no que dá com mais um trechinho de Lucy pra vocês.

MAKTUB | Bela lua, Fotos da lua, Imagens de lua


- Querido, chega, vou me deitar.

Lucy disse aquela frase com tanta precisão, afirmando cada uma das palavras de forma tão incisiva, que Robert ficou olhando-a virar-se daquela sua forma repentina e delicada, batendo a enorme saia no vento, levantando todo pensamento da mente de qualquer ser.

-Lucy! - Mas como pode ser tão intensa e teimosa?

Ela olhou por cima dos ombros, como se fosse uma última chance para que ele explicasse seus pensamentos. Os olhos dela eram penetrantes como adagas venenosas e flamejantes. Ele firmou-se de pé, medindo forças em seu olhar castanho e poderoso e preencheu sua boca de uisque para não preencher de palavras sem fundamentos. Pensou em uma fração de segundos como encaminhá-la diante da força que ela estava descobrindo dentro de si sem fazer com que se perdesse.

- Minha cara...

- Robert, vou me recolher.

E sem mais oportunidades, virou-se e bateu a porta atrás de si, deixando-o com que o álcool evaporasse seus pensamentos naquela noite quente e abafada de verão.

Ele sabia que a magia que sentira nela logo que olhara pela primeira vez em seus olhos, estava se aflorando em sua mente e corpo. Era preciso iniciá-la, mas como? Tão teimosa, um espírito tão singular, mas afinal, todos são singulares. Ele pressentia que ela já o influenciava de alguma forma, e isso precisaria estar muito bem delimitado. Era necessário que os sentimentos não interferissem nos ensinamentos a serem definidos entre eles. Mas um ensinamento só pode ser tomado por aquele que quer aprender, e ela estaria disposta? Seria necessário usar a arma mais poderosa que ela tinha contra ela mesma, ele precisaria deixar que ela o seduzisse, que ela se sentisse no comando da situação.

Naquela noite, ele fumou seu charuto, analisando o que a fumaça o aconselhava, vez por outra, jogava uma ou outra pitada de cinzas no fundo do copo e observava o que o destino lhe dizia... usou da ciência magística simples da fumaça, do álcool e da borra para ser orientado no balanço da cadeira de palhinha que o entorpeceu até o logo amanhecer que fez evaporar o álcool por suas narinas.

Levantou-se para começar o dia.

***


Ela fechou a porta, educadamente. Não queria mais se expor, falar sobre o que ela estava sentindo. Como poderia explicar o poder que emanava de suas entranhas?

Pegou o licor de amoras silvestres que estava sobre sua mesinha, e serviu uma taça. Despetalou uma das rosas que enchia o vaso ao lado da garrafa e juntou o ingrediente ao licor. Cheirou a essência que havia acabado de elaborar no recipiente finíssimo.  Foi até a janela. A noite estava quente e a Lua cheia já havia cruzado mais da metade da noite, a madrugada ia alta, mas a luz que penetrou no quarto ao abrir as cortinas foi forte o suficiente para tornar seus longos cabelos lunarmente prateados. Pousou o copo sobre o batente, desamarrou seu corpete e deixou o vestido pesado cair ao chão, despiu sua combinação e vestiu-se de Lua, sentindo a frieza feminina adentrar seus poros, prateando-se de mulher. Tomou a taça em suas mãos, sorveu um pequeno gole e banhou-se de Licor de Lua e flor.

Dormiu um sono negro e profundo.

Acordou sentindo o cheiro de homem. Era Robert. "Ele se sentou na beirada da cama, sua proximidade a deixando desconcertada". Lentamente abriu seus olhos e o viu sério e certo, olhando-a fixamente.

- Preciso de você, Lucy!

Ela o entendeu, e soube, naquele momento, que ela também precisava dele, não mais pela estrutura material, mas fundamentalmente, pela estrutura espiritual. Eles estavam ligados de alguma forma e ela precisava descobrir como.


Aha! Pensaram que eles iriam ter outro tipo de relação com esse sentar na cama, né? kkkk, seus maliciosos! Mas quem sabe mais pra frente, ou mais pra trás da história, não sei, vocês possam se deparar com algo mais quente, heim?

Vamos aguardar o que a Lucy vai nos revelar, certo?

Até semana que vem, pessoal!

Bjks e Boas leituras!


sábado, 5 de setembro de 2020

Leituras de Agosto de 2020 por Lu Rabello

 

Agosto

O infinito mês do ano chegou ao fim com algumas boas leituras. Pegue um chá ou um café e vem descobrir o que andei lendo


O Café da Praia

Autora: Lucy Diamond

Editora Arqueiro

336 páginas



Que livro gostoso! (livros com comida no título tem como ser ruins?)

Esse faz parte da série Romances de Agora da Editora Arqueiro. Quem se lembra dos famosos romances das séries Bianca, Júlia, Sabrina? Romances melosos, feitos para suspirar e com a certeza de um final feliz. Atualmente, os tais “Romances de Agora”, seguem a linha romântica mas suas protagonistas são jovens modernas, antenadas e que não sofrem (tanto) por amor como as heroínas das estórias antigas. E nem pense que é um livro bobinho, e sem sal – no caso desse, açúcar 

O Café da Praia, é um livro divertido, tem uma estória bacana e bem redondinha.

A atrapalhada Evie recebe o “café da praia” de herança de sua falecida tia Jo .Além de não entender nada de negócios, não sabe também como manejar as panelas...

No meio de atritos profissionais e familiares, problemas no imóvel adquirido e um coração recém partido, ela aprenderá a trazer mais doçura à sua vida com a ajuda de novos amigos.

Ao ler essa estória, me veio a música a seguir na cabeça. Vou pedir para você ouvi-la antes de continuar o texto.

https://www.youtube.com/watch?v=9AEoUa0Hlso&ab_channel=KTTunstallVEVO

Ouviu? Pois então, é esse o clima que senti no livro. E essa foi apenas uma das que se seguiram nesse clima divertido.

Sugiro também as próximas para acompanhar sua leitura. Músicas alto astral, que tem tudo a ver com o clima do livro.

https://www.youtube.com/watch?v=rjOhZZyn30k&ab_channel=CorinneBaileyRaeVEVO

https://www.youtube.com/watch?v=E0oyglKjbFQ&ab_channel=ColbieCaillatVEVO

Daqueles livros para sonhar, desestressar e viajar pra uma praia bem gostosa com amigos ou quem sabe, um amor quente, assim como um bom café deve ser.

Depois dessa leitura fofíssima, mergulhei num clássico mais que conhecido:


Admirável mundo novo

Aldous Huxley

Editora Globo

309 páginas



A Ju, que já escreveu aqui com a gente, tem um grupo de leituras muito bacana no whatsapp  que discute um livro a cada mês. E o escolhido de Agosto foi o Admirável Mundo Novo

Uma distopia clássica  que levei muito tempo para ler. Podemos encaixá-la nessa categoria de clássicos consagrados já que foi uma das primeiras a entrar nesse mundo distópico e por ter influenciado tantas outras como Jogos Vorazes, Divergente e Maze Runner.

No início achei que levaria muito tempo para a leitura deslanchar, tinha um “pré-conceito” de que deveria ser dificil, ou até mesmo chata.

O resultado foi que li em uns 3 dias. Dizia que ia parar logo após tal capitulo e quando via mais 30 páginas tinham voado.

Bem...tudo o que eu disser será pouco. Um livro mais que conhecido e badalado dispensa apresentações mas se você ainda não o leu, segue uma breve discrição:

Uma sociedade futura vive em um mundo perfeito. Sem dores, sem infelicidade. Tudo isso graças a manipulação genética.

Pai e mãe não existem mais. As crianças nascem em laboratório e são criadas tanto para ser mega inteligentes quanto para serem trabalhadores braçais. As pessoas agora são divididas em castas: Alfas, Betas e Ipsilons, entre outros.

Repetições no período do sono como "Nunca deixe para amanhã o prazer que puder gozar hoje" são feitas nesses seres humanos desde muito pequenos para que se acostumem a determinados padrões sem contestações

Tudo isso para evitar frustrações e tristeza. A ordem é ser feliz!

Mas será que isso é bom?

Se você começou a “pensar muito na vida” e sentir deprimido, é só tomar 1g de SOMA que tudo volta a ficar cor de rosa. SOMA é a droga da felicidade. Viver entorpecido faz com que não se reaja negativamente a nada.

Pra que ter somente um parceiro amoroso, se você puder ter todos?

Ser monogamico é um absurdo. Ter sentimentos é um grave erro…E tudo isso apoiado é pelo governo, que não quer que a população sinta. Sentimentos...eles não existem.

Quanto mais eu lia, mas eu percebia que um livro escrito ha quase 100 anos, não poderia ser mais atual.

Altas taxas de depressão, separativismo social, menosprezo às castas mais baixas, tudo isso não parece matéria do jornal que você vê hoje na tv?

Pois é, um livro escrito há quase um século, permanece atualíssimo. Aldous Huxley foi um verdadeiro gênio.

Acima, eu disse que O café da Praia me lembrou determinadas músicas. Esse também me lembrou uma.

Me veio à cabeça a música Jaded, do Aerosmith, em determinado momento de entorpecimento de um personagem.