segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Desafio de escrita criativa: A vidraça da sala da minha infância - por Fabi Sanchez


E aí? Começaram bem o ano? Lendo muito e escrevendo tudo?
Bom, aqui no Língua, como falamos lá na postagem anterior, Bem vindo 2020 , estamos com a corda toda!
Eu e a Leiloca nos propusemos a escrever pra arrebentar, vamos ver se damos conta, com toda a correria besta do dia-a-dia, sabemos que teremos muitos desafios, mas pensando nisso, nos submetemos a um tema de escrita por semana, portanto, vamos dar inicio com o tema:

"DESCREVA UM LUGAR"

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O que é descrever?

Descrever é uma ato de escrita onde a pessoa tenta reproduzir, com suas palavras, aquilo que está vendo, utilizando muitos substantivos e adjetivos para explicar uma paisagem, um objeto ou uma pessoa. Geralmente as descrições estão imersas nas narrativas, pois é muito cansativo um texto que seja somente descritivo, mas como estamos falando de um desafio de escrita, então mão na massa! 

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A vidraça da sala de minha infância

Sempre gostei dos dias cinzentos.
Era uma janela com molduras de ferro… na verdade, química é algo que não dominoo muito bem, mas ao menos o gosto que eu sentia em minha língua ao passá-la sobre uma das alças de sua trava, tentando molhar a parte de dentro como a chuva molhava a parte de fora, parecia de ferro: um sabor acre, seco, que chegava até a garganta junto com uma textura irregular, dura, gelada. Diferente do cadeado que tinha gosto de nada e textura de liso. Os cadeados nunca me prenderam a atenção.
Aquela dureza, aquela frieza, aquela textura irregular se estabeleciam lá nas profundezas de mim.
E encostava as almofadinhas rosadas de minhas bochechas, apertando meu pequenino nariz de seis anos e minha boca vermelha sem batom (acho que o uso do batom desgastou o meu vermelho pueril e natural da infância) contra o vidro frio, tão frio que parecia que a chuva do lado de fora também o havia molhado do lado de dentro. E ficava ali, competindo com a chuva pra ver quem se apertava mais contra o vidro, meu nariz ou suas gotas bravas, pra ver quem conseguiria primeiro transpor a transparência da vidraça, medindo forças naturais... na verdade eu só me espelhava nas gotas de chuva, aprendendo a ser como elas, imitando-as, tentando ser líquida, fluída, transparente, escorregadia por onde passasse, impegável e, como minha mãe dizia, quem a pegasse, ficaria doente, ou seja, é preciso ser forte, vibrar a vidraça, espancando-a torrencial e inabaladamente.
Aquele cheiro de ferro molhado foi enferrujando meus sentimentos desde muito sempre.
E hoje, quando o céu promete chuva cinza, sinto o gosto e o cheiro enferrujado da minha água interior, e isso acalenta minha alma, levando-a a fluidez cortante de um vidro estilhaçado.



E vocês? Tem algum cantinho cantinho ou momento de sua infância que te marcou pra sempre? Me conte aí embaixo! E fique ligado que ainda esta semana tem texto da Leila e da Lusia!

Bjks e Boas Leituras!


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