quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Desafio de escrita criativa- A Sandália dourada- por Leila Jacob

Caro leitor.
O desafio de escrita da semana é escrever um gênero literário que nunca tenha escrito. Confesso que foi difícil, a gente que se mete nesse mundo de escrita sempre escreve um pouco de alguma coisa.
A minha amiga Fabi escreveu uma bula de amor, vocês acreditam? Quem não viu segue o link Amorxicilina.
Hoje eu vou trazer um causo que escuto sempre quando minha mãe vê uma sandália dourada.
Vamos lá!

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A sandália dourada



Na roça, quando se ficava doente, ia-se para a cidade ou para o vilarejo atrás da serra.

Naquela semana a febre tinha pegado dona Odília com força.
Era dor de garganta, cabeça, calafrios e muitas dores pelo corpo. Ela tinha tomado chá, ervas medicinais e ficado em repouso por uns dias, melhorou pouca coisa, o marido, seu João Grande, estava preocupado e aconselhou a mulher a ir tomar uma injeção no vilarejo.

 -Mulé...mió ocê ir no Tôin, por a serra mermo, leva os mininos.

Dona Odília não gostava de passar pelo pé da serra pois era mata densa, os encantos da mata eram presentes naquela região e ela tinha medo. Seu João Grande que era desbravador da mata não ligava mais pra isso.

 -Mulé vai por a serra mermo, bobagi di medo besta!

No outro dia de manhã cedo a senhora começou a se preparar para sair com os netos iam pela serra mesmo. Vestindo roupa de lã e uma sandália dourada que seu marido tinha comprado na última ida à cidade. Adentrou a mata densa com os netinhos correndo e brincando, "coisa de minino solto" pensou ela.

Até que parou para descansar numa rocha beirando a serra, estava com o pensamento longe assim que sentiu a sandália dourada saindo do pé.
Algo invisível aos olhos carregou a sandália para o meio da mata, os pelos de todos ali se arrepiaram.

Não satisfeita com o roubo repetindo da sandália dona Odília correu e pegou a sandália, nesse momento começou um cabo de guerra pelo objeto dourado.
Usou toda a força que tinha e gritou:

- Laaaarga minha apercata coisa da mata!!!

E o encanto soltou dando risadinhas fininhas.
A mulher sem perca de tempo deu no pé com os netos prometendo nunca mais voltar por ali. Ao chegar no vilarejo recebeu a notícia que teria que voltar mais dois dias para concluir o tratamento. O medo era tanto que voltaram pela estrada e chegando em casa contou a aventura para João Grande.

-Mulé...era a caipora, ela gosta de coisa bunita mermo, amanhã ocê leva coisa bunita e engana ela.

Inconformada dona Odília quebrou a promessa de não voltar pelo mesmo caminho no outro dia e, tomando coragem, foi pela mata. Os netinhos atrás, chorando de medo, mas ela tinha tomado coragem.

-Hoje hei de ver a caipora tumá minha apercata.

Foi sem levar nada de bonito para a caipora.
Chegando no mesmo local a história se repete. Algo invisível tentando lhe tirar as sandálias dos pés, ouvia a risadinhas fininhas. Com mais medo e mais pelos se arrepiando dona Odília pegou as sandálias dos pés e gritou para os netinhos.

-Correeeee mininos!!! A bicha é forteeeee!

Voltou pela estrada longa e definitivamente nunca mais quis encarar a mata. É, essa história de mata encantada é pra gente corajosa mesmo.



E por hoje é isso pessoal!

Deixem comentários e vamos papear!
Até quinta que vem!




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2 comentários:

  1. Uau!!!
    Pra quem nunca escreveu um causo, cara, tá muito bom!!!
    Medo e respeito pela mata e pelos encantados!
    Salve as forças da mata!

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