segunda-feira, 9 de março de 2020

Desafio de escrita "O anel" - por Fabi Sanchez


Olá, povo que lê!

Vocês perceberam que semana passada não teve postagem de desafio de escrita, né?
Pois é, pela primeira vez o desafio nos venceu. Nos embolamos com nossos afazeres e não conseguimos postar nossos textos. Mas calma, pois postaremos o desafio da semana passada nesta semana e vejam qual foi o tema:
"Escreva algo de terror"
Pra quem me conhece, sabe o quanto não gosto deste gênero e quanto sou mole pra qualquer arte voltada a ele, quem dirá escrever. Só posso concluir uma coisa após esta experiência: estou com medo de mim mesma. 
Pela primeira vez vou dizer: espero que não gostem! kkk!

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O anel
Era a jóia mais linda que eu já havia visto na minha vida!
                Em prata de lei, com arabescos em ouro que contornavam toda a circunferência, remetendo a pequenas caudas gentis de cometas que se iniciavam em minúsculas  explosões de diamantes que cravejavam o formato de uma estrela, terminando os fios de ouro num bum de um enorme rubi adornado com brilhantes ao redor. O próprio anel parecia uma explosão estelar. Parecia um bigbang em forma de joia.
                Eu nunca gostei muito de aparecer. Saí do ensino médio de forma morna, parda, pelos cantos e consegui esse emprego na locadora de filmes na praça da cidade.  Pra ser quem eu sou, de vir do nada e de ninguém como eu vim, conseguir um emprego desses, foi uma vitória, mesmo eu tendo percebido o olhar de luxúria do Luís, dono da locadora, pros botões da minha camisa xadrez. Mas na verdade o Luís é um cara legal. Esquisito, as vezes vem com uns papos estranhos, mas legal, e ficar assim, em exposição pra cidade toda, bem na esquina da praça central é demais pra mim que nunca fui ninguém.
 As pessoas começaram a me chamar de mocinha da locadora. Porque o Luís se escondia atrás de mim, deixava que eu falasse com os clientes, porque com toda aquela barba preta, aquela cara vermelha, parecia que as pessoas não faziam uma boa impressão dele, mas mesmo assim, a locadora vivia cheia e era interessante que, por mais que eu percebesse que as pessoas que visitavam a loja, principalmente da primeira vez, gostassem de romance, comédia, aventura, ou sei lá o que, por mais que eu recomendasse muitos tipos de filmes diferentes, os clientes sempre eram atraídos para a enorme coleção de filmes de terror e horror. Conforme as pessoas tornavam-se clientes, elas abandonavam por completo as outras seções de filmes e vinham pegar filmes de terror, no mínimo três vezes por semana. O movimento era incrível e impressionante, mesmo o Luís ficando lá no fundo da locadora, atrás de mim, atrás de seu computador, como uma sombra, a loja ia de vento em popa, com muitos clientes e muito dinheiro entrando no caixa diariamente.
Certo dia, depois de voltar da minha pausa diária para um café as 18h, encontro a locadora absolutamente vazia, como nunca havia visto antes. Sobre o meu balcão, ao lado do meu computador, uma caixinha de papel brilhante vermelho com uma fita que parecia feita de luz dourada, iluminava o ambiente, repousada sobre um envelope preto onde meu nome estava escrito com uma letra prateada linda, toda rebuscada.  Não era possível. Seria realmente meu nome? Levei minha mão em direção à caixinha pois parecia ter imã, com uma sensação de calor nas pontas dos dedos, eu me aproximava da caixa como hipnotizada, não havia mais nada ao meu redor, era tudo névoa. Na minha frente apenas o brilho da caixa e do meu nome no envelope. Delicadamente segurei o pacote com a mão esquerda e com a mão direita abri o envelope e tirei o papel negro escrito com mesma tinta e grafia:
“O poder em suas mãos.”
Pisquei para a carta, sem entender do que se tratava, mas eu tinha certeza que deveria abrir o pequeno pacote e tomar para mim o que estava nele.
O anel.
Era a joia mais linda que eu já havia visto na minha vida!
Automaticamente levei-o ao meu dedo médio da mão esquerda, como se eu sempre houvesse sabido que o anel deveria ficar ali, como se ele sempre tivesse sido feito para mim, como se agora eu tivesse achado algo que estava perdido em mim.
Coloquei-o.
O mundo girou num redemoinho vermelho e negro ao meu redor, um furacão que saia do rubi me envolvia por completa e eu era um feixe de ouro. Vi passar em frente aos meus olhos tudo o que sempre desejei e nunca tive, tudo que sempre sonhei e tive medo, todos que sempre me ignoraram e eu fiz de conta que não vi. E tudo e todos se transformaram numa mistura de ritual e festa regados a vinho, sexo e sangue. As cenas se misturavam e meu coração iria perfurar o peito a qualquer momento e saltitar para dentro do rubi, em um êxtase de orgia e luxúria.
- Ei, mocinha da locadora!
Pisco. Pisco de novo. Vejo o André na minha frente. O infeliz André que nunca sentiu a paixão que eu tinha por ele no primeiro ano do ensino médio. Ele era tão lindo naquela época. Mas hoje, o André... o que era o André? Um pedaço de carne? Respondi com um gemido sedutor:
- Hummmm...
- Uau! Eu te conheço, sim, eu te conheço! Você, eu sempre sonhei com você! Você é linda! Nossa, gata, você...
Loucamente ele foi pulando o balcão com as mãos em suplicas para agarrar meus cabelos.
Eu só ergui meu braço esquerdo e coloquei minha mão em seu peito, segurando-o estático no ar, no meio do pulo que ele havia dado. O rapaz pairava sobre meu punho e seus olhos verdes queimavam num fogo amarelo.
- André, meu querido, nunca fui para você, mesmo sem eu mesma saber. Mas você pode ser meu, se quiser. Você quer?
Ele rosnou em resposta, numa mistura de desejo, pânico e dor, estático, pairando sobre minha mão que reluzia o enorme rubi.
Apenas inclinei levemente meu dedo médio e o anel brilhou como chama sobre o peito de André, que rosnando sentia seu coração sendo sugado para o rubi e num vulto foi transformando-se numa fumaça negra que tão lenta quanto lindamente, era tragada pela joia até existir apenas  o seu brilho reluzente.
 Estico minha mão já vazia em apreciação ao anel.
Por cima do ombro olho para trás e vejo Luís, sentado em sua mesa, com dois cornos retorcidos sobre sua testa olhando-me em admiração. Caminho até ele com toda a altivez de uma rainha. Debruço-me sobre sua mesa e beijo-o profunda e longamente finalizando o beijo lambendo uma gota grossa de sangue que escorre por sua boca.
- Obrigada, querido, pelo presente!
Ele tira da gaveta uma caixa de filme com minha foto, segurando André pelos cabelos em uma mão e seu coração em outra, onde o título se fazia “A vingança da medíocre” e me diz
- O poder está em suas mãos.
Aliso seus longos chifres, cheiro o enxofre de sua barba retangular, lambo sua face quente, tomo o filme de sua mão e vou languidamente guardar o primeiro de muitos de minhas histórias na enorme coleção de filmes de terror/horror.



Enfim, é isso, ainda bem que não existem mais locadora!

Deixem suas impressões sobre texto aí abaixo e, se você resolver desafiar seus medos também escrevendo terror, nos mostre como ficou, ficaremos felizes em te ler.

Bjks e Boas Leituras!



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4 comentários:

  1. Depois dessa...ainda bem que não tem mais locadora mesmo kkkk
    Olha eu amei...vc tem jeito pra escrever sobre terror hein😆😘

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    1. Menina, morro de medo, melhor não escrever mais sobre! kkk

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  2. Nossaaaaa!!! Estou boquiaberta com essa história Fabi. Senti arrepios de medo! Ameiiii! Você leva jeito sim, amei a linguagem poética. Parabéns!

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  3. Obrigada, Kerley!!! Prefiro mesmo ficar numa pegada mais poética pra amenizar os medos e as dores da vida. Fico super feliz que te causei medo, a ideia era essa mesmo! kkk

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