quarta-feira, 22 de abril de 2020

Desafio de escrita "Escreva uma crônica": Vitória da batata-doce - por Fabi Sanchez

Olá, povo que lê!!!

Esse post é sobre crônica, pois o desafio da semana é: escreva uma crônica.
Eu, particularmente, adoro crônicas, tanto lê-las quanto escrevê-las.
Mas afinal, o que são crônicas? Crônicas são textos narrativos curtos, assim como os contos, só que os contos tem um teor ficcional, enquanto as crônicas são baseadas em um fato real. Geralmente a  crônica pende ou para a crítica ou para o humor, ou, os fortes, conseguem escrever de forma humoristicamente crítica, e daí eu tiro meu chapéu. Uns nomes que queria destacar aqui como cronistas de coração são Martha Medeiros e João Ubaldo Ribeiro, super vale a pena ler, inclusive, teve um post que escrevi faz tempo aqui sobre João Ubaldo quando completou um ano de sua morte, se você não o conhece, passe por lá e dê uma espiada.
Vou tentar escrever qualquer coisinha por aqui, vamos ver o que sai.

Batata-doce é PANC


Vitória da batata-doce

Sou uma pessoa que acredita muito na comunicação.

Acredito que a comunicação é grande, ou melhor, a única responsável pelos grandes (des)entendimentos da humanidade. Veja só como exemplo, o Tratado de Tordesilhas: o que não foi aquele documento se não um grande problema de comunicação? Ou trazendo para atualidade, vejam o que é a expansão do vírus da informação: muito, muito contagioso e perigoso.

Resumidamente, como diria nosso saudoso Chacrinha, "quem não se comunica, se estrumbica", mas vamos lá dar continuidade ao que eu iria falar, senão acabo por revelar minha idade e deixo os mais novinhos sem entender nada do que eu quero dizer.

Exatamente por zelar pela comunicação, sou uma pessoa prolixa ao extremo - as vezes até eu me canso de minha própria conversa - e falo o dia todo, seja com a boca, num bom e velho bate-papo, seja com os dedos, digitando pelas redes sociais e canais de comunicação. Por esta razão, faço parte de muitos grupos de whatsapp, sendo um deles um grupo de produtos e serviços prestados aqui na minha cidade. Certa feita, já eram umas onze horas da noite quando alguém lança no grupo:

"Alguém teria batata-doce para me vender?"

Li e deixei a pergunta no ar, sem resposta, só aguardando qual sacolão ou mercado responderia primeiro. Passaram-se trinta minutos e o rapaz perguntou novamente e agora com um certo tom de desespero:

"Por favor, preciso de batata-doce, urgente! Alguém teria ao menos uma?"

Uau!

Sensibilizei-me.

Chemei-o em pv e respondi:

"Boa noite, meu caro! Tenho duas batatas-doces em casa, mas são para o meu consumo."

Prontamente já o vi digitando uma resposta:

"Graças a Deus! Você poderia me vender uma, por favor?"

"Claro que não, é uma mesquinhes sem tamanho te vender uma batata-doce, te levo amanhã na cidade"

"Não, não! Preciso dela agora! Posso ir buscar? Por isso quero te pagar, pois sei que é um incômodo, a esta hora"

Parei de responder o rapaz e falei com o meu marido, pois suspeitei da comunicação. A conversa me cheirava a um tom de golpista ou de gatunagem, afinal de contas, porque um rapaz tinha tanta emergência em adquirir uma batata-doce na terça-feria à meia noite?

Meu marido, que por oposição a mim não é uma pessoa lá muito comunicativa, me tranquilizou.
- Deixa que eu levo a batata-doce no portão.

Então respondi ao rapaz:

"Não precisa me pagar, pode vir buscar sua batata-doce. Mas posso lhe fazer uma pergunta? Por que esta urgência com a batata-doce?"

Ele visualizou a mensagem e não me respondeu. Pensei que estivesse se trocando para vir buscar a batata, pois ele deveria estar de pijamas, bom, ao menos eu já estava. E fiquei olhando para a tela do celular com tremenda ansiedade esperando a resposta do jovem me revelar o porquê da urgência com a batata-doce. Mas só após longos cinco minutos ele me respondeu:

"Deus lhe abençoe! Fico muitíssimo agradecido, você não sabe o favor que está me fazendo! Poderia me passar o endereço, por favor? Estou saindo de casa agora!"

Como assim? Como assim está saindo de casa sem me revelar para que precisava da batata-doce? Insisti e coloquei-o na parede para que me respondesse, claro, de forma sutil, com as artimanhas que uso para me comunicar, tentei persuadí-lo:

"Não precisa me agradecer, meu caro, fico feliz em ajudá-lo, apesar de ser um pedido um tanto quanto inusitado, fico imaginando a urgência pela batata-doce"

"Sim, é realmente urgente, que Deus te dê em dobro, poderia me passar o endereço, por favor?"
Mas que rapaz duro-na-queda! Ele não me contou!

Enquanto eu pegava a batata-doce, fui orientando meu esposo:

- Mas pergunta pra ele, amor, fala se a mulher dele tá grávida, sei lá... vai dando dicas pra ver se ele fala algo e principalmente, só dê a batata se ele te contar o motivo.

Afinal de contas, a batata-doce era o trunfo que tínhamos, o segredo estava conosco. Meu marido só me olhou e foi atender a buzina no portão com a batata em punho.

Passaram-se o que? Sei lá, o tempo parece que, na realidade, não passava.... Meu marido não voltava... Jesus, foi um golpe! Eu sabia que tinha que ter lido as entrelinhas daquela conversa maluca ! Nada dele voltar... Corri para a janela do banheiro por onde, esquivamente, conseguia espiar e vi que meu marido voltava pra dentro de casa, sem a batata, com seu ar inatingível enquanto o carro cantava pneu na frente do portão:

- E aí, amor?

- O que?

- Como foi?

- Tudo bem.

- Ele tava sozinho?

- Com a mulher.

- Tá, então ela tava grávida?

- Nâo sei, não deu pra ver.

- E você não perguntou?

- Não.

- E o que ele disse?

- Nada.

- Como nada? Mas você não perguntou o porquê dele querer a maldita batata?

- Não.

- E porque diabos demorou tanto então?

- A chave do portão encrespou.

- Meu Deus, Alexandre!!!!

E a minha comunicação frustrada fez-me ir ferver um chá de camomila, já que a batata-doce havia vencido a minha comunicação e o meu sono.

O que será que o cara fez com a batata-doce, heim? Dê seu palpite aí nos comentários!
Bjks e Boas Leituras!

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4 comentários:

  1. 🤣🤣🤣🤣🤣
    Certeza que foi simpatia...
    Adorei a crônica 😘

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  2. Acho que sua mulher estava grávida e com vontade de comer a batata doce, porque alguém ia querer batata doce aquela hora da noite

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    1. Pois então, esta também é minha suspeita até agora

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