segunda-feira, 8 de junho de 2020

Desafio de escrita: Descreva um lugar ou alguém que não goste

Olá, queridos leitores!

Esta semana, mais uma vez, o desafio de escrita me deixou incomodada, pois acho que ainda não sou uma escritora boa o suficiente para "perder meu tempo" falando de pessoas as quais eu não gosto. Simplesmente, se não gosto, as afasto de minha vida e pronto. Minha sorte é a de que além de falar sobre pessoas que eu não gosto, também tinha a opção de falar sobre um lugar o qual eu não gosto. Bom, muitos de nós não gostam de hospitais, portanto, os descartei, já que seria muito banal, assim como os cemitérios, então pensei em algo que realmente me irrita e resolvi contar um fato real sobre ele: o trânsito de São Paulo.

Veículo pega fogo na região central de Curitiba

Culpa do Bob!

    Há mais ou menos 18 anos atrás, estava eu, como sempre, atrasada para a faculdade, portanto vinha pela marginal Pinheiros na faixa da esquerda, tentando driblar o trânsito. 
    "Que inferno! Como odeio trânsito! Quanta perca de tempo, quanta vida empacada!"
     Toda vez era a mesma coisa! E olha que eu pegava o contra-fluxo, pois ia de Santo Amaro para a USP às dezoito horas, tentava chegar às dezenove para o início das aulas, mas sempre me atrasava, graças ao trânsito! Se tem algo que me deixa fora do controle é o ficar parada dentro do carro, nas ruas de São paulo, não tenho paciência! Muitas vezes chegava na faculdade tão nervosa que, até eu me acalmar para começar os estudos, já havia perdido meia hora da aula. Mas naquela noite, eu não assistiria à aula.
    Como eu ia dizendo, estava eu buscando velocidade pela faixa da esquerda quando começo a sentir um cheiro de queimado vindo do painel do meu Escort vermelho. O que seria? Eu havia colocado água? Sim! Óleo? Acho que estava no nível também... não devia ser nada, afinal de contas, o Escort era um velho guerreiro e aquele mês já havíamos visitado o mecânico. 
    Continuei acelerando.
    Mas então, uma fumaça branca começou a sair do respiro do capô do meu velho Bob (ai gente, eu dou nome pros meus carros, vocês não? O atual é o Tom, por ser cinza de diversas tonalidades, o apelidei assim remetendo ao livro indecente "Cinquenta tons de cinza") e subitamente o motor parou de funcionar. Tentei faze-lo pegar no tranco, já que ele vinha embalado na velocidade (claro que sei fazer o carro pegar no tranco, que mulher não sabe?) mas nada dele ligar. Me bateu o desespero. 
    "Essa merda vai quebrar aqui no meio da marginal e eu tô atrasada pra facu".     
   O pensamento ia se multiplicando cada vez mais em nervosismo e olhando para os retrovisores traseiro e do passageiro, vi aquele mar de carros vindo atrás de mim e ao meu lado direito. O acostamento estava há uns 300 metros de terminar e eu precisava chegar até ele. Fui cruzando a marginal Pinheiros, de cabo a rabo, da esquerda para o acostamento com a seta ligada, e milagrosamente consegui com que as pessoas deixassem eu passar, não sei se foi pela seta que lembrei de acionar ou será que teria sido pela fumaça q tomava toda a pista? Bom, eu já não via quase mais nada a minha frente, mas assim q freei o escort, uma labareda começou a sair do respiro.
    - Caralho!
    Eu tentava pegar o extintor de incêndio e não o encontrava. 
    "Onde ficava a merda do extintor que não tava debaixo do banco? Ah, eu tenho a merda do kit de primeiros socorros obrigatório no porta-luvas, mas pra que quero luvas? Preciso do extintor! Cadê a porra do extintor?" 
    No meio de tanta fumaça e desespero consegui ver que havia parado debaixo de muitas árvores que separavam a via expressa da local.
    "Essa porra vai explodir e vai botar fogo nessas árvores e na marginal toda!"
    Parei de procurar o extintor.
    Ainda consegui me lembrar de pegar minha bolsa, meu fichário e minha pasta com todos os meus textos xerocados de estudos:
    "Que exploda, eu vou cair fora, dane-se o extintor! Adeus Bob!"
    Saí correndo do carro. E quando me vi em segurança, um caminhoneiro já havia parado seu imenso caminhão baú e manejando um extintor gigante, branqueava todo o capô do Escort. 
    "Uau! De onde esse cara saiu? Ele está salvando o Bob?"
    - Nossa moço, obrigada - falei toda descabelada, com o material da faculdade caindo do meu colo - Eu bem que tentei pegar meu extintor, mas não o achava debaixo do banco.
    - É que nos Escorts o extintor não fica debaixo do banco, fica debaixo do painel! - falava comigo calmamente, terminando de apagar o fogo.
     -Ahhh! - que constrangimento!
    -Mas não precisa me agradecer, na verdade os extintores dos carros só servem para socorrer a um outro, nunca a ele próprio, pois se precisar do extintor, é porque já está pegando fogo, e entre salvar o carro e se salvar, melhor salvar a vida. A senhora agiu certo.
    -Ahhh... obrigada! - como eu poderia me constranger mais do que já estava? Agradeci, pois o moço mal sabia quanto tempo eu gastara procurando o maldito extintor.
    - Bom, o fogo já está sobre controle, precisa de ajuda? Uma carona?
    - Não, não, obrigada novamente!
    É, aquela noite eu não iria pra faculdade, não porque o trânsito havia me impedido, mas sim porque eu tivera sido a causadora do trânsito, bom, eu não, a culpa foi toda do Bob!

Ai que nervo, gente! Odeio trânsito! Aposto que vocês também! Deixem seus comentários aí abaixo.
Bjks e Boas Leituras!


2 comentários:

  1. Que situação!!! A marginal sempre é difícil e o Bob pra piorar kkkk imagina se fosse no sentido Usp x Santo Amaro naquele mesmo horário?! Fiz esse percurso por 3 anos e posso te confirmar que teria sido bem pior!

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    1. Ai, Rafa, nem me fale! A marginal é terrível, e o Bob, não ficava atrás! Obrigada pela visita!

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