segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A Lua e o Licor (trecho de "Lucy") Desafio de escrita - por Fabi Sanchez

Olá, povo que lê!

Vamos nós de novo começando com aquele pedido de desculpas por estarmos sumidas? Gente, eu e a Leila, neste agosto, estivemos com compromissos pelas tampas, por mim, digo que o lançamento de "Causos de açúcar" me consumiu bastante energia, mas o feedback do meus leitores tem sido algo extremamente prazeroso, mais do que o próprio açúcar inclusive, pausa aqui para agradecer a cada um dos meus leitores queridos... mas chega de desculpinhas, né? Vamos voltar ao foco de escrita de nossos desafios semanais?

Pois bem! Eu e a Leila muito conversamos sobre o desafio dessa semana e achamos que seria uma chatice sem fim, mas minha gente, quando peguei o mote inspirador para escrever, já meio que a cena veio em minha mente: vou adorar escrever isso. O famigerado desafio então, é o seguinte:  Pegue o livro mais próximo de você, abra na página 27, leia o primeiro parágrafo e escreva algo baseado nisso.

Peguei "Um cavalheiro a bordo", que é o terceiro livro da melhor trilogia, no meu ponto de vista, da Julia Quinn, e vejam só o parágrafo com o qual me deparei:

"Ele se sentou na beirada da cama, sua proximidade a deixando desconcertada"

Já pensou malícia, né? Então vamos ver no que dá com mais um trechinho de Lucy pra vocês.

MAKTUB | Bela lua, Fotos da lua, Imagens de lua


- Querido, chega, vou me deitar.

Lucy disse aquela frase com tanta precisão, afirmando cada uma das palavras de forma tão incisiva, que Robert ficou olhando-a virar-se daquela sua forma repentina e delicada, batendo a enorme saia no vento, levantando todo pensamento da mente de qualquer ser.

-Lucy! - Mas como pode ser tão intensa e teimosa?

Ela olhou por cima dos ombros, como se fosse uma última chance para que ele explicasse seus pensamentos. Os olhos dela eram penetrantes como adagas venenosas e flamejantes. Ele firmou-se de pé, medindo forças em seu olhar castanho e poderoso e preencheu sua boca de uisque para não preencher de palavras sem fundamentos. Pensou em uma fração de segundos como encaminhá-la diante da força que ela estava descobrindo dentro de si sem fazer com que se perdesse.

- Minha cara...

- Robert, vou me recolher.

E sem mais oportunidades, virou-se e bateu a porta atrás de si, deixando-o com que o álcool evaporasse seus pensamentos naquela noite quente e abafada de verão.

Ele sabia que a magia que sentira nela logo que olhara pela primeira vez em seus olhos, estava se aflorando em sua mente e corpo. Era preciso iniciá-la, mas como? Tão teimosa, um espírito tão singular, mas afinal, todos são singulares. Ele pressentia que ela já o influenciava de alguma forma, e isso precisaria estar muito bem delimitado. Era necessário que os sentimentos não interferissem nos ensinamentos a serem definidos entre eles. Mas um ensinamento só pode ser tomado por aquele que quer aprender, e ela estaria disposta? Seria necessário usar a arma mais poderosa que ela tinha contra ela mesma, ele precisaria deixar que ela o seduzisse, que ela se sentisse no comando da situação.

Naquela noite, ele fumou seu charuto, analisando o que a fumaça o aconselhava, vez por outra, jogava uma ou outra pitada de cinzas no fundo do copo e observava o que o destino lhe dizia... usou da ciência magística simples da fumaça, do álcool e da borra para ser orientado no balanço da cadeira de palhinha que o entorpeceu até o logo amanhecer que fez evaporar o álcool por suas narinas.

Levantou-se para começar o dia.

***


Ela fechou a porta, educadamente. Não queria mais se expor, falar sobre o que ela estava sentindo. Como poderia explicar o poder que emanava de suas entranhas?

Pegou o licor de amoras silvestres que estava sobre sua mesinha, e serviu uma taça. Despetalou uma das rosas que enchia o vaso ao lado da garrafa e juntou o ingrediente ao licor. Cheirou a essência que havia acabado de elaborar no recipiente finíssimo.  Foi até a janela. A noite estava quente e a Lua cheia já havia cruzado mais da metade da noite, a madrugada ia alta, mas a luz que penetrou no quarto ao abrir as cortinas foi forte o suficiente para tornar seus longos cabelos lunarmente prateados. Pousou o copo sobre o batente, desamarrou seu corpete e deixou o vestido pesado cair ao chão, despiu sua combinação e vestiu-se de Lua, sentindo a frieza feminina adentrar seus poros, prateando-se de mulher. Tomou a taça em suas mãos, sorveu um pequeno gole e banhou-se de Licor de Lua e flor.

Dormiu um sono negro e profundo.

Acordou sentindo o cheiro de homem. Era Robert. "Ele se sentou na beirada da cama, sua proximidade a deixando desconcertada". Lentamente abriu seus olhos e o viu sério e certo, olhando-a fixamente.

- Preciso de você, Lucy!

Ela o entendeu, e soube, naquele momento, que ela também precisava dele, não mais pela estrutura material, mas fundamentalmente, pela estrutura espiritual. Eles estavam ligados de alguma forma e ela precisava descobrir como.


Aha! Pensaram que eles iriam ter outro tipo de relação com esse sentar na cama, né? kkkk, seus maliciosos! Mas quem sabe mais pra frente, ou mais pra trás da história, não sei, vocês possam se deparar com algo mais quente, heim?

Vamos aguardar o que a Lucy vai nos revelar, certo?

Até semana que vem, pessoal!

Bjks e Boas leituras!


6 comentários:

  1. Ah, Fabi! Que lindo! Amei a escrita, o jeito que criou o momento, a maneira poética... Quis me vertir de lua também!

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    1. Que lindeza!! e qual de nós, volta e meia, não queremos nos vestir de Lua tb, vez por outra, não é mesmo?

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  2. Nossa... Adorei em Fabi!!! Cuida de escrever logo esse livro porque eu JA QUEROOOO

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    1. kkkkkkkkk!
      escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo...

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  3. Parabéns, já gostei, irei incluir na minha lista. Muito sucesso querida.

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