domingo, 27 de setembro de 2020

Desafio de escrita criativa: Um ano difícil - por Leila Jacob

Caro leitor, 
Tenho diversas lembranças da minha infância, algumas boas, outras ruins e algumas que aparecem involuntariamente para se incluir na minha biografia mental.
O desafio da semana é escrever algo infantil com base na experiência dessa época, vamos lá então. 
Um ano difícil
Deito devagarinho no travesseiro e fecho os meus olhos lentamente, sono profundo.
Acordo com as mãos de mamãe batendo em meus braços e vejo a luz do abajur iluminado seu rosto.

- Acorda menina, já é hora de ir pra escola.

Levanto com sono e sem vontade de fazer nada a não ser dormir. Mas não falo nada, nunca falo só deixo que ela conduza a minha rotina. Ela me veste, me coloca pra escovar os dentes enquanto faz o café. Meu pai já preparado para o trabalho, espreme a laranja para fazer o delicioso suco de laranja, beterraba e cenoura que tanto amo.
Depois do café fico mais animada e já começo a tagarelar sobre ficar em casa e não querer ir pra escola, sobre ser mais útil em casa, sobre o cheiro do incenso da professora me deixar tonta e sobre todas as dificuldades.
Meu pai fingindo que não escutava as reclamações preenchia a lancheira de biscoito água e sal e suco de laranja.
Rapidamente em sua bicicleta me deixava na escola e ia trabalhar.
Entrando no pátio as professoras já iam organizando as filas de cada turma para entoarmos juntos o hino da independência e o hino nacional.
Depois em fileira seguimos para sala e a professora sem mais demora acende o incenso fedido que doía a cabeça.

Abrindo a embalagem de um chiclete que iria durar até o fim do dia ela começa a aula:

-Como o dia está lindo hoje, já deixei um cheirinho bom aqui pra gente ficar mais feliz.

Sorri e enche a lousa de lição.

Em minha mente as letras se embaralham e as linhas do cadernos se contorcem.
O cheiro do incenso fica mais forte e eu fico repetindo em mente para que o incenso queime rápido.

Letras, números, linhas pautadas, giz, incenso, recreio e o chiclete sendo mascado incansavelmente.
E eu só queria poder ler, se eu soubesse.

Quando o sino da igreja badala doze vezes meu coração acelera e fico feliz em arrumar meus matéria na bolsa.
O sinal soa e corro até o portão para ver minha mãe acenando e me chamando para o conforto do lar.

Acabei escrevendo algo que acontecia diariamente no ano de 2004 quando eu estava na primeira série em uma escola considerada uma das piores em ensino fundamental, poderia escrever algo mais leve com o humor de criança, mas sempre lembro dessa época e vejo que a vida de uma criança pode ser bem cruel em alguns aspectos. Foi um desperdício de ano pois não aprendi nada e ainda morria de dor de cabeça por conta de incensos com as portas fechadas.(Ainda me aprovaram para a segunda série).
Pais prestem atenção no que os professores fazem na sala de aula com seus filhos, sejam os melhores professores para seus filhos!
Ainda bem que no ano seguinte eu mudei de escola e conheci uma professora maravilhosa que me ensinou a ler, somar e diminuir (Espero que esteja bem professora Claudete ❣️).

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