segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Desafio de escrita criativa "Visita ao pediatra" - por Fabi Sanchez

 Olá, povo que lê!

Vamos ao tema do nosso Desafio de Escrita Criativa?

"Escrava algo engraçado"

Sim, meus caros, esta semana tentaremos fazê-los rir. Dizem que a comédia é uma das artes mais difíceis, portanto tenho que assumir que estou um tanto quanto ansiosa para saber se terei êxito na empreitada. Pensando nisso, busquei na memória algo que, particularmente, me faz rir bastante e imediatamente me veio a mente: meus filhos. Mas Fabi, de novo você vai escrever sobre os meninos? Vou, gente, desculpa, podem me julgar, mas este exercício de desafio de escrita semanal só tem vindo pra me provar que, por mais que inventemos mil mundos e personagens, nós só conseguimos escrever sobre aquilo que somos e temos de conhecimento, e meus filhos, como vocês devem imaginar, são uma das minhas maiores fontes inspiradoras, portanto espero que deem tanta risada com eles quanto eu rio diariamente.






 Visita ao pediatra

Não sei se vocês tem filhos, mas eu tenho 3. E desde que tive meu primogênito, não tive mais sossego, mas em contrapartida também nunca conheci forma mais intensa de amor, ou ainda, nunca mais parei de rir. Sempre me perguntam "Fabiana, como você faz? Não é trabalhoso criar 3 filhos e desempenhar todas as demais funções? " Só não é trabalhoso quando estou dormindo, isto é, quando o sono não é interrompido por um "Manhêêêê, tô sem sono!", ou pior, por uma febre noturna, ou ainda quando não durmo pensando em, por exemplo, como deve estar seu filho de 13 anos que foi pros EUA, sozinho, sem mim, mas com mais 60 pessoas da banda sinfônica da cidade participar do campeonato mundial de bandas tocando seu clarinete, e mais, como fazer para pagar as dívidas de tal viagem... mas enfim, eu poderia contar um milhão de histórias sobre preocupações e correrias com os meninos, mas hoje eu quero mesmo é mostrar o quanto é divertido ser mãe desses três moleques.

As histórias são tantas que foi difícil selecionar uma.

Eu poderia contar da vez em que Miguel e Henrique que, deveriam ter, respectivamente, 1 e 2 anos e por estarem muito quietos, achei estranho e fui procurá-los, espantando-me em achá-los brincando de "piscina" na privada, batendo mãos na água e com as cabeças totalmente molhadas.

Ou poderia contar de um dos "memes de família" que serve para qualquer momento de tristeza ou desapontamento entre nós, baseado em um áudio de whatsapp que o Raul manda cantado com voz totalmente melancólica e melódica "Eu queriaaaaa ir no sítio do Rauuuuul, mas vocês fooooram sem a geeeente... Estou muito triste!"

Ou ainda da comédia que foi quando entrou um morcego em casa, ou uma gambá prenha e eles queriam de toda forma criar os bichinhos em casa, tanto que, quando pedi para que entendessem que eram animais silvestres e não domesticáveis, o Henrique me solta o seguinte argumento "Eles são apenas bebês, mãe! Quer dizer que se a senhora não conseguir domesticar seus filhos você também vai nos soltar na natureza?"

Ou esses dias atrás que pedi para que os dois mais velhos fizessem um chá para o lanche da tarde e qual  não foi a surpresa quando, antes que eu experimentasse o chá, o Raul me solta "Nossa, que gosto de sopa", deixando a caneca na mesa com cara de estranhamento. Ao checar as ervas que haviam na chaleira, vi que o ingrediente principal da bebida era alho-poró.

Mas, mesmo com essas e tantas histórias boas, vou me deter ao dia em que estávamos indo ao pediatra para ver a fimose de Henrique e Miguel, que na época deveriam ter 3 e 2 anos.

O Henrique sempre foi um carinha de muitas tiradas e observações. O Miguel também é bastante observador, mas guarda suas conclusões para si, diferente do outro que as vezes até brinco dizendo que ele tem um tino pra político ou diplomata. Mas enfim, os meninos estavam já numa idade que comiam mais ou menos por conta, não usavam mais fraldas, falavam e se expressavam muito bem e, percebi que ambos estavam com a fimose ainda sem romper. Preocupada com a situação, resolvi marcar um pediatra e já conversei antecipadamente com os meninos no banho do dia anterior para não pegá-los de surpresa na consulta do dia seguinte:

- Meninos, hora de lavar o piu-piu. Deixa eu mostrar uma coisa pra vocês. Tá vendo essa pelinha na cabecinha do piu-piu? Amanhã vamos ao médico porque ele também quer ver essa pelinha, tá bom?

- Por que o médico quer ver nossa pelinha do piu-piu, mãe? - perguntou o Henrique.

- Ah, filho, só pra ver se está tudo bem com ela. - e pra não entrar em mais detalhes, comecei a lavar as orelhas deles - e ele também vai ver se estamos lavando bem atrás das orelhas e se não tem nenhum repolho nascendo aí atrás - pronto, a preocupação deles me pareceu mudar de foco.

- Mãe, repolhos não nascem nas hortas? - perguntou o Miguel.

E assim terminamos o banho falando sobre horta e higiene.

Como vocês devem saber de outras crônicas que escrevi aqui no blog, na época nossa família tinha um escort vermelho, ano 84, caindo aos pedaços, mas que atendia, ao menos, todos os padrões de segurança e legalidade cobrada pelos órgãos competentes, porem a polícia insistia que o Bob (o nome do nosso carro), deveria ter a ficha suja, ou ser alguma má influência para o meio automobilístico, pois ela sempre me parava e, só naquela semana, já haviam me parado duas vezes. Enfim coloquei as crianças em suas respectivas cadeirinhas, amarradinhos e seguros, tomei a estrada no limite máximo de velocidade, já que claro, como sempre, eu estava atrasadíssima para a consulta (quem já saiu com dois bebês, sozinho de carro, sabe o evento que é e todas as tralhas e processos que são necessários saber e fazer para que tudo dê certo e que nenhuma criança fique pra trás, perdida em casa, no pó do talco pós banho). Então estava eu, na pista a todo vapor, quando vejo logo a frente uma blitz policial. Automaticamente pensei "não me pare, por favor, não me pare, hoje não, por favor, não me pare!" Mas adivinhem o que aconteceu! Claro que o policial estendeu o braço pedindo para que eu diminuísse e recuasse para o acostamento.

-Inferno! - falei já pegando a bolsa, tirando os documentos de dentro da carteira e estendendo o braço balançante pra fora da janela mostrando os documentos como bandeiras ao vento, rezando para que o policial viesse logo. - Merda! - os meninos sabiam que essas eram palavras feias e que não poderiam ser ditas.

- Mamãe, você falou palavrããããão - disse o Henrique num tom acusatório e ambos colocaram a mão na boca como em proibição.

- O guarda parou a gente, filho, e estamos atrasados pro médico ver o piu-piu de vocês. Fiquem quietinhos pra ele mandar a gente logo pro médico, tá bom?

Com toda calma e vagareza do mundo, o guarda chega até a janela do carro e vendo meu desespero abanando os documentos quase na cara dele me pergunta ignorando-os:

- Tá com pressa, senhora?

-Tô sim, mas não estava acima da velocidade, estava? O senhor quer ver os documentos? São esses.

- Não sei... a senhora estava acima da velocidade? - me pergunta pegando os documentos lentamente e olhando para o banco de trás - e esses meninos, são seus filhos?

Fiz que sim com a cabeça já pegando a bolsa pra pegar o documento das crianças quando o Henrique se apresenta:

- Oi, seu guarda! Tudo bom? Eu sou o Henrique e esse é meu irmão Miguel, a gente tem uma pelinha na cabeça do piu-piu e o médico quer ver ela, mas o senhor tá deixando a gente mais atrasado. Se o senhor não deixar a gente ir logo, vai demorar tanto que vai até criar pé de repolho atrás das nossas orelhas e o médico vai dar bronca na gente por isso.

O policial nem olhou os documento, gargalhava sem se aguentar. Devolvendo rapidamente os papéis disse:

-Vá, minha senhora, boa consulta e parabéns pelos meninos. O mais velho tem tino pra diplomata, viu?

Dei um sorriso amarelo e rumamos para as próximas aventuras.



Me contem: ter filhos é ou não é divertido? Deixem seus comentários logo aí abaixo.

Bjks e Boas Leituras

Fabi Sanchez

6 comentários:

  1. Kkkkk crianças são demais não é? Eu me divirto com as conversas da minha. Ótimo texto Fabi❤

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    1. Pena que a gente esquece, porque todo dia eles soltam alguma pérola. O ideal é a gente registrar pra não esquecer. Obrigada por sempre estar por aqui, Cris!
      Bjks!

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  2. Morrendo de rir Fabi kkkkkkkk
    Ai Jesus, adoro crianças e ainda mais as espertas kkkkk.
    Parabéns peloa e lindos

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    1. Obrigada, Flor!

      Fico super feliz que tenha gostado e dado algumas risadas

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  3. gostei do texto Fabi, crianças são assim, na inocência faz coisas que sempre nos faz rir. Parabéns muito divertido

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    1. Bom te ver por aqui, Cidinha!
      Fico muito feliz que tenha gostado do texto, crianças sepre são muito divertidas mesmo!
      Obrigada, bjks!

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