quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Desafio de escrita criativa: Fatos reais - por Leila Jacob

Caro leitor,
Apesar de ser uma cinéfila convicta, eu não sou fã de filmes com heróis. Acho uma chatice e coisa de menino...mas lembro de assistir Smallville nas manhãs de domingo no SBT, naquela época não havia internet, tv a cabo ou outro entretenimento aqui em casa, então assistia as aventuras do super boy.
Lembro também do super shock que passava nas tardes depois de chegar da escola, até era legal.
Hoje veremos se tenho habilidade criando um super-herói?


Fatos Reais


Para um dia ser perfeito era necessário ter algumas coisas. Os preparativos eram ser dia de folga, o tempo estar nublado, ter lamém no armário, ter cerveja na geladeira e uma tv 50 polegadas com as melhores assinaturas de streaming e não era pedir muito, era só o dia perfeito que ela queria. E aquele dia estava sendo o dia perfeito.
Luíza levantou do sofá e foi para cozinha preparar seu lamém, ouviu a campainha tocar, correu para abrir a porta para a amiga, ambas planejaram uma noite de comidas, dramas e cerveja.

- Que demora...achei que tivesse desistido.

Maria mediu a amiga dos pés a cabeça e virou os olhos.

- Não é por que o dia é de cineminha que você precisa ficar de pijama, já pensou se o entregador de pizza é o amor da sua vida? Você vai deixar o amor da sua vida te conhecer de pijama da vovó?

- Nossa, essa menina viu... quem disse que vamos pedir pizza? Eu já estou preparando lamém!

- Miojo, Luíza? Me respeita, eu já vou assistir esses coreanos contigo e você me oferece miojo! Vou pedir uma meio a meio, mas que coisa hein!

Luíza pouco se importava com os fricotes da amiga, queria mesmo era relaxar nos últimos minutos do dia de sua folga. Com o lamém pronto e bebidas geladas, ambas foram para o sofá da sala, dando play em um drama onde contava a história de um homem com super poderes salvando a pátria e no meio de tanto caos encontra o grande amor da sua vida. 
Maria já estava de bico torcido, sinal de que estava odiando o drama.

- Tá Maria, pode começar a reclamar.

- Não menina, não é isso não...se acha que existem super-heróis por aí? Tipo com poderes e essa coisa toda do sobrenatural?

- Mas mulher, que assunto é esse?

Luíza olhou atravessado pra amiga e deu uma golada de cerveja.

- Olha Luíza, acabou a cerveja e a bendita pizza não chegou...já tô ficando nervosa...fome me deixa nervosa, bem que você poderia ir no mercado comprar cerveja e passar na pizzaria. Que tal? 
 
Luíza fechou a cara pra amiga botou um moletom, pegou a carteira e saiu.
Caminhando pela rua escura, Luíza se sentiu observada. Olhou ao redor e não viu uma alma viva se quer. Ao chegar no mercado estava bem desapercebida, entrou e pegou as cervejas. Quando parou no caixa viu um cara apontando uma arma para a atendente. 
Seu corpo congelou, as cervejas caíram de sua mão e ela levantou os braços. Abaixou a cabeça e percebeu que tudo estava bagunçado, como se alguém tivesse saqueado as prateleiras.

Ela esperava alguma reação do assaltante mas ele estava estático, não falava ou fazia nada só apontando o revólver, e a pobre da atendente começou a soluçar e chorar histericamente.
Luíza sabia que não se reagia nessas circunstâncias, mas resolveu falar com o rapaz.

- Mo-moço pegue o dinheiro e vá embora, veja que a moça não está bem.

Ela encarou e percebeu que havia alguém atrás dela, pois o assaltante estava boquiaberto como se estivesse prestes a dar um treco, as luzes do mercado piscavam muito até que tudo ficou escuro. A luz do poste da rua fazia sombras dentro do estabelecimento.
A moça viu um vulto passando rapidamente em sua frente e arrastando o assaltante para os fundos do mercado e gritos de terror foram entoados. A mulher do caixa fugiu correndo em direção à porta da rua e Luíza ficou chocada com a reação da moça mal agradecida que nem a levou junto com ela, já que não conseguia se mexer, pois o medo era tanto que as suas pernas estavam grudadas no chão, paralisadas pelo terror.

Até que as luzes se acenderam e o vulto parou na frente dela, mal pode crer no que via. Era um homem de quase 1,90 de altura e com um terno impecável.
O homem que Maria diria que era o amor da vida dela, com certeza.
Era branco, cabelos ondulados e tinha um olhar sarcástico. 
Ele encarou Luíza e sorriu, um sorriso que faz qualquer mulher de joelhos fracos caírem, e foi o que aconteceu, a menina se estatelou no chão e o belo homem a levantou sem muito esforço.

- Vejo que ficou bem chocada com os acontecimentos recentes. Vamos, vou te levar até sua casa.- Pegando o fardo de cerveja que havia amassado o papelão com a queda, ele arrastou a moça para rua.

Luiza não tinha palavras, só conseguia pensar como alguém poderia ser tão lindo como aquele homem.
Quando se deu por conta estava na porta de casa. Ele entregou o fardo de cerveja. Ela não resistiu e perguntou com todo cuidado.

- Aquilo foi um ato heróico ou o senhor seria o vilão? O senhor por acaso seria um super-herói? 

Ele riu e apontou o dedo para ela.

- Eu te salvo de um marginal e tenho a possibilidade de ser vilão? E se eu disser que sim você acreditaria? E se acredita, posso dizer também que você é o amor da minha vida, você iria crer?

Ele a encarou com os olhos negros e tudo começou a rodar, ela sentiu uma sensação boa como se estivesse em um lugar quentinho e aconchegante como o seu sofá, até que despertou, olhou ao redor e estava em sua sala, o episódio do drama estava nos créditos finais e Maria estava gritando da porta.

-Acorda!!! A pizza chegou! Tá faltando R$5,00 vê se traz logo que o entregador tá aqui!

Luíza se levantou e estava tontinha, havia relaxado por conta da cerveja e dormir de barriga cheia fez ela ter pesadelos, apesar de o fim ter sido bem interessante, apesar da interrupção.
Foi até a porta e entregou o dinheiro ao entregador que estava tirando a pizza da bolsa térmica.
Era ele!
O super-herói...até então era nisso que ela acreditava.
Ficou de queixo caído e o homem a olhou com curiosidade.

- Entrega o dinheiro pro moço. A fome é mais séria do que a atração, anda!

Luíza entregou o dinheiro e a amiga entrou com a caixa de pizza, ela podia jurar que ele deu uma piscadinha, ele deu as costas e foi embora. Ela fechou a porta e sentiu uma pontada na cabeça, o álcool não lhe fez bem.
Maria já estava com a boca cheia de pizza, mastigando feliz. 

- Mulher... tu dormiu que nem uma pedra, tava até roncando, e eu pensando que essa pizza iria ser entregue amanhã, eles deveriam perdoar esses cinco reais pelo atraso.

Maria abaixou e puxou algo debaixo do armário.

- Ah mas você é regulona, Luíza, olha o fardo de cerveja escondido aqui embaixo do armário, se eu não vasculhasse você ia beber sozinha.

O fardo estava com o papelão amassado. Assim que viu esse detalhe Luíza correu para rua, e o super-herói estava a esperando com uma cerveja na mão.

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